Editorial: Alerta para evitar pandemia de ebola

Como o contágio se dá por fluidos durante certo período do ciclo do vírus no organismo, a disseminação pode ser contida

Por O Dia

Rio - A confirmação do primeiro caso de ebola em solo norte-americano, apesar de todos os cuidados e de toda a aparente paranoia, serve de alerta para o mundo inteiro. Até então, descartava-se com veemência a possibilidade de a doença se espalhar pelos continentes, confinando-a na miserável África. Ainda que a chance de um surto global continue reduzida, até pelas características da enfermidade, o caso de Thomas Eric Duncan não pode ser desprezado — até porque o liberiano, sozinho, pôde ter sido capaz de detonar um surto no Texas.

O ebola ainda não é transmissível pelo ar; se o fosse, o cataclisma seria praticamente certo. Como o contágio se dá por fluidos durante certo período do ciclo do vírus no organismo, a disseminação pode ser contida. O problema é existirem autoridades incompetentes e relapsas no mundo todo, inclusive nos Estados Unidos. Thomas, quando pediu ajuda num hospital, foi mandado embora com antibióticos. Uma simples falha de procedimento desencadeou uma gigantesca ação, cujos resultados são imprevisíveis.

Não se deve inferir, diante desse episódio, que no Brasil a hecatombe biológica seria inevitável. O Ministério da Saúde tem profissionais capacitados para detectar casos suspeitos, e não é preciso muito para confinar possíveis doentes. A questão é não permitir que haja brechas.

Toda essa preocupação, porém, não pode tirar a atenção da África, onde a epidemia mata dezenas por dia. Sobressai a impressão de que o mundo pouco se importa. É uma tragédia humanitária que precisa da união das nações.

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