Por bferreira

Rio - Amanhã tem eleição, e ninguém sabe que bicho vai dar. Ou bicha, já que aspiram ao trono presidencial homens e mulheres. Há 15 dias Marina subia nas pesquisas como um meteoro e agora (licença, Aldir) cai feito um viaduto. Manchete da ‘Folha de S. Paulo’, do dia 2, com inesperado viés erótico: “Aécio (oba!) encosta em Marina (epa!).” Enquanto isso, Dilma ia navegando, soberba como um Titanic, rumo à vitória no primeiro turno. Ou não. E aí, com tudo na mais perfeita desordem, eis que a mídia só fala de um tal de Fidelix (parece nome de empresa falida do Eike). No debate anterior, o obscuro candidato esculachou o casamento gay alegando que “o aparelho excretor não reproduz”. Ganha uma caixa de goiabada-cascão de Ponte Nova quem souber o que é excretor e o nome do partido, PRTB.

Agora, segundo a ‘Folha’, mantém o discurso e diz que “não foge do pau”. O que provocará novo turno de piadas que manterão Fidelix na mira dos holofotes até o dia da eleição. A turma LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros ) deitou e rolou; foi pretexto para um ‘beijaço’ coletivo de desagravo na Avenida Paulista. Ih, caí também na armadilha: gastei 13 linhas sobre o momentoso assunto. Gênio marqueteiro ou imbecil sortudo?

Por falar em LGBT, aproveitei uma viagem vapt-vupt a São Paulo — onde fui fazer turismo hospitalar — para visitar a exposição do, digo, da cartunista Laerte no Espaço Cultural Itaú. Como meu tempo era curto, tive que fazer uma escolha difícil entre a Bienal e a exposição do, digo, da Laerte. Optei pela Laerte e não me arrependi. É sensacional. Os desenhos são deslumbrantes. São simultaneamente sofisticados e escrachados. E seu labirinto — com mais de dois mil desenhos —, uma experiência inesquecível para quem o percorre. Confesso que temi entrar homem e sair mulher de lá. Quando Laerte usava roupas masculinas, era, na minha opinião, um dos maiores cartunistas do mundo. Ao virar mulher, tornou-se certamente a maior cartunista. Golpe de mestre. Se você for a São Paulo, bote na agenda, é imperdível. Vale também pela curadoria de Rafael Coutinho, filho do, digo, da cartunista.

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