Por bferreira

Rio - Enfim, chegamos às eleições 2014. Amanhã, mais de 140 milhões de brasileiros poderão votar. Como dizem, poderão exercer a cidadania. O ato eleitoral é um dos principais meios de expressão da democracia, e o voto, o instrumento capaz de provocar mudanças significativas, visando à construção de um país mais soberano, justo e igualitário. Certamente você já ouviu este discurso e foi convencido por ele. Concordo com este raciocínio, mas, sinto dizer, de forma utópica.

Digo isto porque há algumas eleições brasileiras não temos em quem votar. Quando não anulamos ou deixamos em branco (o que também deve e pode ser considerado um direito de todos — e um dado sintomático), acabamos votando no “candidato menos pior”. Que lástima. Votamos sem conhecer a fundo a proposta da candidatura do indivíduo. E é incrível como as propostas, muitas vezes, se resumem a frases de efeito. Simples e falaciosas retóricas em que o político finge que fala a verdade, e nós fingimos que acreditamos nele. Uma relação altamente banalizada.

Não temos mais líderes, grandes estadistas. Sequer bandeiras e ou causas que realmente consigam inflamar e conquistar a sociedade, num movimento contínuo e progressivo. Cumprimos hoje um ritual (historicamente conquistado a duras penas) desmotivados e, em sua grande maioria, à margem de toda a discussão política.

Neste pleito, os poucos debates entre os candidatos transmitidos pela TV aberta parecem que retrocederam. Em tempos de participação e interatividade, onde estava efetivamente o povo perguntando, debatendo? Interagindo? Certamente, a maioria dormindo. Preciso explicar por quê?

A imprensa, por sua vez, pouca inovação trouxe ao seu formato padrão de apuração, seleção e publicação das informações, não contribuindo de uma forma mais contundente para o debate público sobre propostas, ações e projetos. As pesquisas de opinião, o disse me disse e as intrigas ainda ocuparam as manchetes. As redes sociais ficaram a cargos dos cabos eleitorais de plantão.

Muita retórica. Informação de mais. Pouca discussão. Pouco diálogo com o povo. Não é de se entranhar, portanto, que você, hoje, na véspera, ainda nem sabe em quem vai votar, por exemplo, para deputado federal e estadual.

Eis a festa da cidadania.

Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

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