Por felipe.martins

Rio Eliminada logo no primeiro turno, Marina Silva (PSB) sabe que foi a principal responsável por sua derrota. Políticos podem defender as mais diferentes propostas, mas não têm o direito de negar suas próprias opiniões. Dona de uma biografia digna e irrepreensível, a ex-senadora fez sua candidatura minguar quando passou a brigar com seu passado, a mentir sobre o que fizera na vida pública.
Todos temos o direito de trocar de opinião, mas é razoável exigir de políticos que eles expliquem esta transição, as razões da mudança. Marina não fez isso: disse que votou a favor da CPMF, mas documentos mostram que ela seguiu a orientação do PT — seu partido na época —, que era contrário ao “imposto do cheque”.

No ‘Jornal Nacional’, ela classificou de lenda sua posição contra os transgênicos. Como o ‘Informe do DIA’ mostrou, Marina chegou a apresentar projeto que proibia o uso desses grãos por cinco anos — defendeu esta proposta em seis discursos no Senado. Ao longo da campanha de 2014, Marina mudou de posição sobre casamento gay e, com medo de perder votos no Rio de Janeiro, escorregou quando jornalistas perguntaram sua opinião sobre a proposta de alterações na distribuição dos royalties do petróleo. As sucessivas negativas transmitiram insegurança ao eleitor, colaboraram para demolir a ideia de “nova política” e fizeram sangrar a candidatura do PSB, que acabaria sendo goleada por Aécio.

As contradições de Marina foram exploradas por Dilma Rousseff e de Aécio Neves que, agora, vão encarar o segundo turno. Uma disputa interessante, que oferece ao eleitor duas diferentes propostas para o país. Ao contrário de outros candidatos à Presidência do PSDB, Aécio teve o mérito de explicitar suas posições, não vacilou ao defender ideias mais conservadoras e ao elogiar legados dos governos de Fernando Henrique Cardoso — em campanhas anteriores, o ex-presidente sequer era citado por seus correligionários.

A amnésia de Marina foi derrotada por dois adversários que não tentaram esconder o que eles e seus respectivos partidos fizeram nas últimas décadas. Dilma ressaltou conquistas sociais e econômicas, Aécio tratou da estabilidade da moeda e da responsabilidade fiscal — ambos, claro, ressaltaram casos de corrupção ocorridos em governos adversários. O mata-mata do próximo dia 26 não representará a continuidade da mesmice representada pela polarização PT-PSDB, mas uma chance para os brasileiros decidirem entre duas propostas claras e devidamente assumidas.

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