Por bferreira

Rio - A disputa pela Presidência, em seu primeiro e emocionante ato, ratificou a força das instituições partidárias e sobretudo a liturgia que se espera dos seus postulantes. Não à toa, chegam à decisão do dia 26 as duas siglas que praticamente desde a refundação da República duelam pela preferência do eleitorado: PT e PSDB. Antes da análise de programas de governo, o cidadão inconscientemente avalia o escopo político do candidato e escrutina sua parte ‘pessoa física’, o que pode ser traduzido, grosso modo, em experiência e solidez.

Qualidades que faltaram a Marina Silva, principalmente no que toca à solidez, aqui destacada a coerência. A neossocialista trazia consigo anos de vida pública, com carreira ascendente no Legislativo e uma passagem no Executivo, como ministra de Estado. Talvez não tenha sido suficiente, haja vista os muitos recuos e as inconsistências de sua campanha, em especial nas questões caras ao Estado do Rio, como o pré-sal e os royalties — o que, no entanto, não impediu que Marina fosse a mais votada na capital. E agora faz-se um suspense sobre possíveis apoios na segunda etapa desse disputado pleito.

Dilma e Aécio têm muitas diferenças. Partidárias, ideológicas, processuais. São dois métodos praticamente antagônicos, guardando poucas semelhanças — e uma delas é justamente o pouco-caso com o programa de governo, falha constante nesta campanha. Mas não se pode afirmar que falta cancha aos dois postulantes ao Planalto, ou que não haja unidade em torno de suas candidaturas. Enxerga-se solidez, independentemente das propostas.

O que se espera neste segundo turno, dentro do possível, é um debate calcado nas necessidades do povo brasileiro, nas correções de rumo das políticas públicas e na consolidação dos direitos adquiridos nos últimos anos.

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