Editorial: Basta a atenção contra a histeria

Por mais que haja problemas no SUS e reclamações das mais diversas na Saúde, o Brasil tem, sim, capacidade para conter surtos

Por O Dia

Rio - Aparentemente não está contaminado com o ebola o guineano Souleymane Bah, internado em quarentena na Fiocruz com suspeita da doença. Ontem à tarde, a febre já havia cedido, e seu quadro clínico, manifestado no limite do período de incubação, não indicava gravidade. No entanto, foi correta a adoção do protocolo: isolá-lo e tratá-lo em hospital preparado para casos dessa magnitude. A informação de que o paciente viria para o Rio, dada com exclusividade pelo DIA, foi suficiente para despertar uma pequena onda de histeria.

Duvida-se da capacidade de nossas autoridades de dar conta de possíveis casos de ebola — como se uma pandemia mais devastadora que a da África, onde milhares morrem e nem sequer são enterrados, fosse certeza aqui. Por mais que haja problemas no SUS e reclamações das mais diversas na Saúde, o Brasil tem, sim, capacidade para conter surtos. Bastam atenção e organização.

Atenção, por exemplo, na vigilância de voos oriundos da África, onde o mal se espalha com virulência, a fim de se colherem dados de passageiros para monitoração, pelo menos no curto prazo. O controle nos aeroportos, portanto, sempre pode ser estreitado — pecar pelo excesso, nessa hora, é primordial.

Já a organização se faz necessária nos rígidos protocolos diante de suspeitas. É preciso refazer os passos do paciente e localizar cada pessoa com quem ele interagiu, a fim de frear um possível contágio. Cabe lembrar que o ebola ainda não é transmissível pelo ar, o que facilita o rastreamento de infectados.

A doença ainda está confinada na África — aumentando o drama humanitário daquele continente, largado à própria desgraça —, e os casos registrados nos EUA e na Europa estão muito longe de configurar surtos. Esta, portanto, é a hora de redobrar a cautela, rever procedimentos e trabalhar. Assim, o país ficará livre do ebola.

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