Por felipe.martins

Rio - A vitória de Luiz Fernando Pezão, reeleito governador do Rio, é incontestável. Mas o fato de o peemedebista ter obtido número de votos inferior ao de abstenções, nulos e brancos remete a uma reflexão sobre a necessidade de mudança no processo. O governador somou 4.343.298 votos, contra 4.348.950 dos que abriram mão desse direito. Uma diferença muito pequena, de 5.652 unidades, e que liga um alerta. E os políticos precisam ficar atentos a ele.

A matemática da totalização das urnas se atém apenas ao desempenho dos candidatos, considerando os “votos nominais”, desprezando, como é sabido, abstenções, brancos e nulos. E o eleitorado acompanha a marcha da apuração, com a oscilação das porcentagens e o pinga-pinga das seções, sem prestar muita atenção ao descarte. O placar de 56 a 44 pró-Pezão muda drasticamente se incluído o refugo, que aparece na frente de todos: 35,83 a 35,79 a 28,38. No plano nacional, Dilma e Aécio somaram, cada um, mais votos que os inválidos, mas o percentual inutilizado também ficou bastante elevado. Foram 37 milhões de votos no lixo, contra os 54 milhões da presidenta reeleita.

Em que pese o patamar médio de faltosos, que se manteve na casa do quinto, chama a atenção o imenso contingente de nulos e brancos, o que evidencia o descrédito da classe política. Ausência de nomes, antipatia, falta de identificação ou simplesmente má-vontade podem explicar esse fenômeno. Não fosse o voto obrigatório, o engajamento poderia ser mais fácil, pois vai à urna quem quer, e aí o candidato precisa ser duas vezes mais convincente para conquistar o eleitor.

Mas o Brasil inteiro precisa ir às seções eleitorais, sob risco de multa e sanções. É preciso, então, entender que mensagem passou o contingente de insatisfeitos para traçar mudanças — do contrário, a crise de representação só vai se acirrar, e o país perigará se tornar uma Babel onde cada um fala uma língua.

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