Por felipe.martins

Rio - Várias leituras apontam o que foi determinante para levar o Projeto Dilma à vitória. Todas merecem reflexão. Fazendo rápida análise do que circulou nas redes sociais, percebeu-se que o embate se deu entre duas fortes bandeiras.

A primeira é o combate à corrupção. Os partidários do PSDB focaram nisto. Esqueceram que o Brasil inteiro sabe que os dois partidos estão envolvidos em escândalos. Assim, só falavam para dentro do PSDB. Equívoco político no trato com o povo. Nenhum partido deve tratar o povo como ingênuo. Na nova realidade, onde as redes sociais têm mais poder do que a ‘Veja’ e outros meios de comunicação, dar ênfase a “meias verdades” gera incredulidade. Por que a ‘Veja’ não fez o mesmo quando foi descoberta a “megacorrupção” nos metrôs e trens de São Paulo? As mensagens dos partidos e dos meios de comunicação precisam ser verdadeiras, e não tendenciosas para A ou para B. A não ser quando o meio de comunicação tem a coragem e limpidez de dizer abertamente que está do lado do projeto B. O povo quer transparência. Não está errado escolher um projeto.

A segunda bandeira é o avanço nas políticas públicas. Os partidários do PT focaram mais aqui. Nenhum outro grupo social foi mais atendido em suas demandas do que a população negra! Ela foi ‘empoderada’ com o acesso às universidades e aos bons empregos públicos, através das cotas! A consequência foi imediata: em 14/10, 42% dos eleitores do Aécio eram negros e, em 22/10, caiu para 38%. Já a candidata Dilma tinha 57% e, em 22/10, subiu para 62% das intenções de voto dos afrodescendentes! Vamos aguardar os dados finais do TSE para aprofundar esta análise.

No discurso de vitória, além de assumir vários compromissos comuns à oposição, como o combate à corrupção, a presidenta Dilma reafirmou engajamento com as pautas dos movimentos sociais: “Um Brasil que cuida das pessoas com olhar especial para mulheres, negros e jovens.” Como dizia Betinho, “quem tem fome tem pressa”.

A Educafro tem pressa e já marcou sua próxima militância em Brasília para os dias 16, 17 e 18 de dezembro. Queremos retomar nossas pautas paradas no Executivo, Legislativo e Judiciário: inclusão do povo negro nos mestrados e doutorados; regulamentação da Lei de Cotas no Serviço Público; transversalidade das políticas públicas para negros em todos os ministérios e programas governamentais; que na montagem do próximo governo tenha uma melhor representatividade na equipe de Ministros, de negros/as e mulheres (não só na Seppir); aprovação do projeto contra os ‘autos de resistência’; diversidade étnica no STF e demais tribunais do Brasil.

Levaremos para todos os poderes que serão visitados pela Educafro a seguinte convicção: as eleições trouxeram uma grande luz. Não vivemos o ponto alto da sujeira, mas o início de profundo compromisso ético com a limpeza. Ela não se dá sem a urgente reforma política. Não a que está sendo elaborada pelos políticos (pois provaram ser incapazes), mas a que está em discussão pela OAB e movimentos sociais!

Frei David Santos é filósofo, teólogo e especialista em ações afirmativas

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