Por bferreira

Rio - A vantagem da reeleição é que, nessa situação emergencial na economia, as medidas mais urgentes poderão ser tomadas já. Não será a primeira vez, nem a última, que governos, após as eleições, tenham de impor sacrifícios, a começar pela correção de preços defasados.

A velocidade com que nossas contas se deterioram exige resposta rápida, e o governo sabe disso melhor do que a sociedade. Não é segredo para ninguém que alguns artifícios têm sido usados para maquiar os resultados globais, que incluem inflação, déficit nas contas e fragilidade cambial.

Os bancos oficiais estão fora dos limites na liberação de créditos, e os mercados estão cientes. A repercussão internacional da reeleição já está nos jornais. E anunciar reforma política com plebiscito não melhorará o ambiente. O Congresso não aceitará.

No entanto, no campo interno, cabe uma postura prudente e de grandeza no sentido de se apoiar os acertos de algumas medidas amargas a serem colocadas em prática. Não se pode fazer política com as dificuldades que não são do governo, mas de toda a sociedade. A presidenta Dilma tem de ser de todos os brasileiros e todos devem ajudar a enfrentar a imensa crise, mesmo que a origem de tudo possa estar em equívocos do governo.

No mais, é claro que, com o apoio das forças mais conservadoras, que se manifestaram de maneira inequívoca na condenação ao governo e ao partido da presidenta reeleita, o governo será mais comedido. Pelo menos, nas posições de cunho ideológico, à imagem e semelhança da Venezuela e da Argentina, que, infelizmente, parecem encantar setores do governo. Apesar da alegria de Cuba com o resultado da eleição e o banner com a foto da presidenta quando militante, que foi capa de O DIA na segunda-feira e estava estampada na camiseta do presidente do PT, Rui Falcão.

Não podemos, nem devemos, agravar a crise com a instabilidade política. Qualquer descuido pode nos retirar a confiança que resta nos mercados internacionais. E precisamos de crédito, de investimentos, de comércio. Não somos nem podemos ser uma ilha nesse mundo tão globalizado. Perigoso, portanto.

Manifestações na política externa, crise interna, radicalização de parte a parte não atendem ao interesse nacional. E, pelo visto, há muita gasolina sendo jogada pela via de revelações no escândalo da Petrobras.

Que o Brasil não se deixe levar pela divisão, muito menos pelas marcas de uma campanha que foi dura, tensa e que precisa ser uma página virada. Afundar na economia não servirá a ninguém. Muito menos à democracia e às camadas mais sofridas. As correções de rumo não podem esperar.

Aristóteles Drummond é jornalista

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