Por thiago.antunes

Rio - A prisão de um grupo de jovens de classe média carioca, de um bairro considerado chique da Zona Sul, abre espaço para uma reflexão oportuna, e necessária, sobre a impropriedade dos que defendem a barbárie de fazer justiça com as próprias mãos sob alegação de a legislação ou o poder público serem ineficientes para punir ladrões e outros criminosos. Afinal, os detidos agora são os mesmos que, em fevereiro, amarraram num poste do Flamengo um jovem flagrado roubando nas redondezas.

Naquela época, o que mais chocou não foi a ação desastrada e indesculpável dos justiceiros de ocasião, mas o apoio que receberam de parte da população, até de personalidades que, pela posição que ocupam, têm responsabilidades sociais que vão além de opiniões pessoais, sejam políticos, policiais ou jornalistas. E que, certamente, sem a devida reflexão, levantaram bandeiras contra o respeito aos direitos humanos e a favor da pena de morte.

A prisão dos oito na quinta-feira deve ser vista como exemplo de como deve agir o Estado. A detenção é consequência de investigação policial profissional, que reuniu subsídios para que a Justiça expedisse o mandado de busca e apreensão cuja execução confirmou o que se suspeitava e levou à prisão em flagrante do grupo e ao recolhimento de provas de sua ação criminosa.

Esse caso é emblemático porque deixa claro que na sociedade democrática de direito não há lugar para justiceiros ou ações individuais ou de grupos, como os de extermínio. Na democracia, cabem ao Estado, através de seus agentes (polícias, Ministério Público e Justiça), as ações de combate ao crime e a administração da Justiça, sempre respeitando os direitos individuais, como a presunção de inocência e ampla defesa. Fora disso, é a barbárie e o risco de se deixar enganar por demônios travestidos de anjos.

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