Por bferreira

Rio - Derek Bok, reitor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, disse: “O governante que diz que não tem dinheiro para Educação é porque não sabe o preço da ignorância.” Tony Blair, em seu livro, ‘Minha Visão da Inglaterra’, vai s além, ao afirmar que “o socialismo funciona quando nossos filhos vão à escola e encontram bons professores”.

Malala Yousafzai, estudante paquistanesa, de 16 anos, ecoou para o mundo seu grito de protesto: “Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.” Recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Diante do pensamento humanitário desses pensadores, aqui no Estado do Rio se reedita o projeto idealizado por Brizola, dos Cieps. Um programa destruído por uma coligação de centro-direita com apoio dos partidos de esquerda que derrotou Darcy Ribeiro nas eleições de 1986. Agora, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, ao resgatar o projeto concebido por Darcy, revoluciona o modelo da educação do município ao colocar em prática a construção de escolas.

A revolução quase surda do Eduardo Paes, ao inaugurar a Fábrica da Escola do Amanhã, quebra os paradigmas de que os governos não têm dinheiro para universalizar o ensino de qualidade para crianças e adolescentes. Ele vai destinar R$ 2,1 bilhões para a construção de 136 escolas até 2016, com ensino integral, contribuindo para alavancar o projeto das UPPs com políticas sociais com a implantação do Campus Educacional da Maré para atender a 10 mil crianças da comunidade.

O projeto do município foi iniciado na gestão da ex-secretária Claudia Costin. Exposto no Fórum Mundial, no Rio, era previsível que, com a extinção da aprovação automática dos alunos do Ensino Básico, seriam necessárias aulas de reforço e de mudanças nos métodos pedagógicos. E o importante não era só ensinar a matéria, mas ensinar ao aluno e integrar a escola de qualidade com as famílias através de conselhos comunitários de professores e mães de alunos.

No seminário realizado no Rio, promovido pelo O DIA e pela FGV, sobre aplicação dos recursos da Lei dos Royalties do Petróleo que destina 75%, e de 10% do PIB para investimento fixado como meta na Lei do Plano Nacional de Educação para a Educação, destaquei que os prefeitos deveriam contratar alunos dos cursos de engenharia, física, matemática, de informática e de português.

Deveriam também universalizar cursos de alfabetização para pais de alunos e para a terceira idade e criar tendas em praças públicas para debates de temas sociais para a população, além de encenar peças de teatro de novos autores com jovens atores das comunidades. Há ainda mais programas de incentivo a implantar, como a leitura obrigatória nas escolas com pequenos textos de escritores e de poetas e a prática do jogo de xadrez como método de disciplina e de aprendizado lógico de estratégias.
Há a necessidade, também, de criação de amplo pacote de benefícios de seguridade social difundindo a conscientização da violência de origem familiar que se reproduz nas escolas — bullying — e de prevenção às drogas. Enfim, Eduardo Paes rompe o marasmo da incompetência. E aí, senhor governador Pezão, entre nessa...

Wilson Diniz é economista e analista político

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