Por bferreira

Rio - No próximo domingo, Berlim comemorará os 25 anos da queda do muro, que foi o pontapé inicial da liberdade em todo o Leste Europeu e a própria Rússia. Certamente um dos grandes momentos do século 20 foi o dia em que a famosa Cortina de Ferro, que aprisionava milhões de pessoas, ruiu sem a necessidade de um tiro sequer. Atribui-se a quatro personalidades ocidentais o grande feito: o ex-presidente americano Ronald Reagan, o Papa João Paulo II, a primeira-ministra da Inglaterra Margareth Thatcher e o dirigente soviético Mikhail Gorbachev. O mapa político e econômico da Europa se modificou e a Alemanha foi reunificada, em processo exemplar na integração econômica e na pacificação política.

O regime comunista na Alemanha foi dos mais violentos, colecionando milhares de mortos, muitos dos quais na aventura da fuga da tirania, o que não impediu que a integração viesse a se dar sem cobranças e sem revanchismo. Não se pode construir um futuro de progresso e fraternidade remexendo no passado. Este é o preço que se paga pela paz e a prosperidade. Na França do pós-guerra, o general De Gaulle, quando verificou que a lista de colaboracionistas passava de 200 mil, em 1946, deu por encerrados os processos e anistiou a todos.

A queda do muro só não pode ser considerada exemplar nos antigos países dominados pelo comunismo totalitário, uma vez que os governos que se seguiram tiveram em boa parte origem no passado e implantaram sistemas altamente corruptos. Mas, apesar de tudo, nos últimos dez anos a liberdade, aliada a uma elevação do poder aquisitivo de dezenas de milhões de pessoas, promoveu este espetacular crescimento do turismo na Europa.

Calcula-se que a plena ocupação hoteleira é devida em 30% aos turistas provenientes do Leste Europeu e 20% da China e de economias emergentes, como é o caso do Brasil. A crise não atingiu o turismo pela pressão destes novos turistas. A China permanece uma ditadura, mas com ilhas de prosperidade, e agora se percebe uma preocupação com o combate à corrupção. O mundo moderno realmente enfrenta grandes desafios como a corrupção, a permanente tentativa de controle do cidadão pelo Estado, a droga e o terrorismo, com base em conflitos de fundo religioso.

Alguns direitos negados nos anos pré-queda do muro, como as restrições ao simples ir e vir das pessoas e da liberdade de imprensa que prevalece apenas na Coreia do Norte e em Cuba, fazem o mundo melhor e menos tenso. A globalização da economia, que não tem donos, impõe políticas mais liberais, estimula avanços na tecnologia, na qualidade e na competitividade. Mas sob pena de levar os países ao isolamento e às dificuldades inadmissíveis no cotidiano das pessoas, como o desabastecimento e o mercado negro de gêneros de primeira necessidade, drama vivido nos países como Venezuela e Argentina.

Agora deve ser a vez de derrubar os agentes das novas ameaças à paz e à felicidade dos povos, numa união dos homens de boa vontade espalhados por todos os países.

Aristóteles Drummond é jornalista

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