Por bferreira

Rio - Confirmado como secretário de Segurança Pública do estado na nova gestão de Luiz Fernando Pezão a partir de 1º de janeiro, o delegado José Mariano Beltrame, que ocupa a pasta há oito anos, terá muitos desafios pela frente. E o maior deles será, sem dúvida, o de consolidar a política de segurança de ocupação das favelas pelas Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. Há acertos mas também erros a ser avaliados. Por isso, além de promover a expansão das forças do estado para regiões ainda dominadas pelo crime, Beltrame terá que rever estratégias para conter a violência em algumas áreas com UPPs e ainda conflagradas.

Alemão e Rocinha são dois exemplos. Mesmo com as UPPs, seus moradores ainda vivem sob o temor de confrontos a tiros entre facções rivais e a polícia. Como o ‘Informe do Dia’ revelou na edição de quinta-feira, a maior parte das reclamações que chegam à Ouvidoria da PM é sobre a presença de traficantes armados. E os recentes casos de ataques e assassinatos de policiais militares confirmam que o tráfico continua agindo nessas áreas e, pelo que mostram as estatísticas, aparentemente com poder ascendente.

Terá ainda que cobrar do Estado e da prefeitura investimentos e ações mais efetivas para levar aos moradores das favelas o acesso a serviços públicos de qualidade e tratamento digno, inclusive dos policiais da UPP. A experiência, como o próprio secretário tem ressaltado, mostra que não basta levar a polícia à favela. É necessário muito mais. É preciso levar cidadania.

Além disso, Beltrame terá que conter a migração de bandidos de áreas pacificadas para a Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo e o interior. Hoje, essas regiões enfrentam um tipo de violência até há pouco registrada quase que exclusivamente na capital. Isso tem sido reclamação constante de moradores e prefeitos, que pedem UPPs para evitar que bandidos de fora finquem suas bandeiras. Afinal, segurança pública é um direito de todos.

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