Hamilton Werneck: Avaliar ou classificar?

Já faz algum tempo que o Enem provoca um debate entre os gestores da educação acerca de seu mais importante objetivo: avaliar o Ensino Médio brasileiro ou classificar candidatos ao Ensino Superior

Por O Dia

Rio - Já faz algum tempo que o Enem provoca um debate entre os gestores da educação acerca de seu mais importante objetivo: avaliar o Ensino Médio brasileiro ou classificar candidatos ao Ensino Superior. É verdade que a ideia inicial do Enem era a de avaliar nosso Ensino Médio para, aos poucos, ir ajustando os conteúdos às necessidades da sociedade.

O afã de conseguir mudar o perfil dos vestibulares, para torná-los um pouco diferentes dos modelos do passado, criando uma impressão de que houve alguma mudança no modelo classificatório, levou o Ministério da Educação a usar o exame como um “novo” vestibular.

Com isso abandonou-se a questão precípua de usá-lo como ferramenta avaliadora. Este exame passou, então, para muitas instituições de Ensino Superior a ser considerado como ferramenta de seleção dos candidatos. Essa movimentação foi o suficiente para descaracterizá-lo como avaliador do ensino. Mas, resta saber no meio desta caminhada, se seria possível fazer as duas coisas com a mesma ferramenta.

Creio que sim e os problemas não serão tão complexos. A primeira tarefa será delinear, através dos descritores já expressos, o que se pretende que o ensino médio faça durante os três anos de atividade. Não vejo como solução apenas dividir essas avaliações pelas três séries existentes. Deixem, portanto, a avaliação, para o final do terceiro ano.

Os descritores tendem a orientar as escolas e professores sobre os domínios que cada estudante deverá atingir ao final do curso, e nada impedirá aos elaboradores das provas de seleção criarem questões que sirvam para delinear os dois papéis: avaliar o ensino médio e classificar os candidatos para a universidade.

O que não pode ser admitido ao mesmo tempo e por algum capricho dos elaboradores das questões é a organização de uma prova além do nível de conhecimento e do grau da dificuldade contida nos descritores.

O melhor para criar as condições que facilitem atingir as duas metas com a mesma ferramenta será deixar a cargo de alguma instituição anterior ao Ensino Superior as tarefas da elaboração da avaliação e da classificação. Esta questão de buscar os alunos que mais interessam a uma instituição de Ensino Superior ou os que melhor se adequem ao perfil de estudante que se pretende formar deveria ser tratada como não democrática por ferir a igualdade de direitos.

Hamilton Werneck é Pedagogo, escritor e palestrante

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