Por adriano.araujo
Publicado 08/11/2014 22:02 | Atualizado 08/11/2014 22:02

Rio - A reboque da política de elevação de juros — entre os mais altos do planeta — do Banco Central para conter a inflação, os resultados de mais de 30% de lucro de bancos privados divulgados esta semana chamam a atenção e mostram as duas faces da moeda. De um lado, consolidam ainda mais a solidez do sistema financeiro brasileiro para enfrentar possíveis turbulências do mercado externo, o que é bom. De outro, revelam o alto custo da medida à população, que vê restrito o seu consumo, com o crédito ultrapassando a casa dos 200% ao ano, e a toda a cadeia produtiva, sufocada com a carestia do dinheiro para mover as suas engrenagens.

Para se ter ideia da anomalia provocada pelos juros altos, enquanto importante instituição privada festeja ganhos de mais de R$ 5 bilhões, uma empresa de minério de ferro amarga prejuízo de mais de R$ 3 bilhões no mesmo período. Aliás, as altas taxas apenam todo o segmento industrial, que experimenta queda de 2,1 %, de acordo com o IBGE. Elas explicam também, em parte, além da falta de infraestrutura e elevada carga tributária que fragilizam o setor, o pífio crescimento de 0,3% do PIB (soma de todas a riquezas produzidas no país), o que refletirá em aumento real zero para o salário mínimo no ano que vem.

Esse é o perverso efeito dominó gerado por uma cruel matemática financeira que só beneficia mesmo os bancos. Como admitiu a própria presidenta Dilma Rousseff em um de seus discursos durante a campanha pela reeleição, ao afirmar, de forma categórica, que “os juros altos só servem a sanguessugas que tiram o prato de comida da mesa do trabalhador”.

Basta à presidenta, agora reeleita, livrar-se dessa armadilha da farra dos juros e promover a tão necessária mudança na política econômica que impeça naturalmente a elevação de preços, restabelecendo o equilíbrio, onde todos ganham, tanto as instituições financeiras quanto as forças produtivas.

O país não pode mais, a pretexto de controlar a inflação, ficar refém de juros de uma agiotagem institucionalizada. O crescimento da economia, a geração de empregos e os trabalhadores agradecem.

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