Por adriano.araujo

Rio - Talvez seja ousado afirmar que a infraestrutura de transportes pode contribuir para salvar o país de um vexame e resguardar a dignidade da economia brasileira em 2015, visto que neste ano não há mais o que fazer. A afirmação é consenso no setor. Estamos falando do segmento que aposta no Brasil e resiste bravamente à gangorra dos índices econômicos, a despeito da queda de investimentos nos últimos quatro anos.

Nesse contexto, fatores econômicos voltam a desenhar o cenário de crise para 2015, também com perspectivas pífias para o crescimento, e tensas para empresas que já trabalham no vermelho. Não existe um manual para a transição de governo, ou day after, mas é certo que a acomodação da “casa nova” trará ônus para todos que investem no Brasil.

Na transição passada foi o segmento da construção pesada que fez uma grande mobilização para que o governo lançasse o PAC 2 e assumisse o compromisso de manter uma programação de investimentos elevada em 2011, para que o país não tivesse uma parada brusca. O setor entendia que não era justo deixar dezenas de empresas quebrarem, perderem milhares de empregos e aumentar a crise social, porque haveria mudanças no Planalto. Essas paradas abruptas da economia não são compatíveis com a democracia.

De novo, o dia seguinte às urnas volta a preocupar o setor e o país. Pior que em anos anteriores, o patamar de crescimento econômico hoje está mais baixo, sinalizando a necessidade de se pensar em mudanças de curtíssimo prazo. A despeito das perspectivas mais pessimistas, como de especialistas que apostam numa fatura cara e dolorosa para se colocar o país nos eixos, não podemos assistir a esse processo de camarote.

Estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que, para alavancar o desenvolvimento do país, reduzir os custos logísticos e aumentar a competitividade dos setores produtivos, será necessário priorizar, pelo menos, dois mil projetos de infraestrutura, que envolveriam R$ 987 bilhões em investimentos.

Outra vez o segmento surge no fim do túnel para acenar que é possível dar um passo adiante nessa longa caminhada para retomar o crescimento em cenário inóspito, de quase recessão. O quadro é desalentador, mas exige precisão cirúrgica e velocidade nas ações.

Em 2011 soubemos atravessar a transição sem paralisar o país, detentor de uma economia de US$ 2,5 trilhões. Agora, com um quadro de quase recessão econômica, não podemos nos permitir dar um passo em falso, com o argumento de termos que arrumar a casa primeiro para depois começarmos a trabalhar.

?José Alberto Ribeiro é presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias

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