Por bferreira

Rio - Zumbi dos Palmares, herói nacional, foi assassinado no dia 20 de novembro de 1765 por sua luta em favor da libertação dos escravos e da igualdade racial. A data de hoje, portanto, foi escolhida para comemorarmos o Dia da Consciência Negra e homenagearmos o grande líder negro que nos ensinou a importância de resistir e lutar se queremos construir uma sociedade mais justa e igualitária. Mas, será mesmo necessário separarmos no calendário o ‘Dia da Consciência Negra’?

Muita gente bem intencionada acha que não devemos comemorar essa data. Argumentam que isso fortalece a discriminação, uma vez que “somos todos iguais”. Outros preferem ignorar a luta de Zumbi e de heróis que resistiram à escravidão porque não gostam da ideia de os negros adquirirem consciência de sua condição social. Preferem que eles não se deem conta de que compõem a parcela da população mais atingida pela exclusão social: que recebem os menores salários, moram nas piores moradias, sofrem com a repetência escolar e o analfabetismo, são mais atingidos pela mortalidade infantil, têm seus jovens assassinados ou doentes e esquecidos em presídios medievais.

Precisamos, sim, comemorar o Dia da Consciência Negra. Que neste dia possamos refletir sobre a trajetória dos afrodescendentes em solo brasileiro. Relembrar a violência com que foram arrancados de sua terra natal, de suas raízes e de suas famílias. Trazer à memória toda a opressão na lavoura, na senzala, na casa grande ou nos centros urbanos. Que pelo menos nesse dia a sociedade possa refletir sobre o racismo, este câncer que insiste em mostrar sua face no quotidiano de uma sociedade preconceituosa, onde uns poucos se acham mais dignos e superiores a partir de sua etnia ou condição social.

Não existe cidadania plena para quem não conhecer sua origem, sua história e sua identidade. O brasileiro precisa identificar e reverenciar seus heróis. Mas, precisa recontar a história do Brasil pelo olhar daqueles que foram escravizados e explorados pelo Estado/elite e isto não é fácil. Há um provérbio africano que diz o seguinte: “Até que o leão possa escrever sua própria história, os caçadores serão sempre os heróis das narrativas de caça.” Resgatar a memória de Zumbi é um bom começo. Você já conhece essa história?

Carlos Cacau de Brito é advogado e presidente do Rio Pede Paz

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