Por bferreira

Rio - Em fevereiro, O DIA publicou o texto ‘Viva a Uerj e seus estudantes’, sobre as dificuldades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e, em especial, os impedimentos de turmas concluintes para realizar cerimônias de colação de grau no tradicional espaço da universidade: o Teatro Odylo Costa Filho, o Teatrão’. Na semana seguinte à publicação, estudantes conseguiram interpelar o reitor da universidade e ouviram o compromisso de uma resposta breve e de que seriam recebidos. Não houve resposta ou encontro.

Apesar do silêncio, os alunos continuaram incansáveis e, dos mais diferentes setores administrativos da Uerj, ouviram promessas de reuniões. Elas também não aconteceram. Finalmente, em abril, quando se iniciou o período acadêmico, os estudantes, insatisfeitos, foram ao evento de recepção dos novos alunos e de suas famílias e, em público, pediram respostas. Mais uma vez, a administração prometeu ouvir os estudantes e assegurou publicamente que seriam recebidos. Não foram.

Desde então, as tentativas de contato continuam frustradas. Meses se passaram, teve Copa, eleições, mas não houve resposta. O Teatrão mantém as várias e injustificadas restrições ao uso por estudantes, embora continue recebendo grandes produções que, sem dúvidas, exigem muito mais de sua estrutura do que uma colação de grau. Já a evasão de cerimônias de concluintes continua crescente, vendo-se muitos estudantes compelidos ao custeio de altos valores para o aluguel de espaços.

Para todos, é inegável o orgulho de que a Uerj receba grandes eventos culturais no Teatrão. Mas a maior alegria que uma universidade pode oferecer à sociedade, porém, é a formação de profissionais, que representam o futuro e que levam à transformação social. A conclusão do curso deve ser momento de comemoração e não de dificuldades, inclusive financeiras, impostas por restrições contra os estudantes. A celebração da formatura deve ser democrática, assim como a universidade, o que não ocorre quando os estudantes nem mesmo são ouvidos.

Em fevereiro, o corpo estudantil vibrou ao imaginar, finalmente, voltar a ter no Teatrão sua casa. Com a perpetuação do sistema restritivo que os afasta, é inevitável a questão: o Teatrão e a administração da universidade são voltados para quem?

Dandara Araujo é estudante do 10º período de Direito da Uerj

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