Por bferreira

Rio - O Brasil perdeu na quinta-feira o advogado, jurista e professor Márcio Thomaz Bastos. Homem polido e reconhecida sensibilidade política, ele participou como protagonista de momentos importantes da história recente do Brasil. Ajudou a escrever a Constituição de 1988, redigiu o pedido de impeachment de Fernando Collor de Mello e, como ministro, trabalhou para democratizar e universalizar a aplicação da Justiça.

Mas, sem dúvida, um de seus maiores legados está sendo visto agora por todos os brasileiros, para espanto daqueles que acreditavam que esse seria para sempre o país da impunidade: a independência de ação da Polícia Federal. Foi na gestão de Márcio Thomaz Bastos que o órgão passou a investigar a fundo grandes negociatas, incluindo as que envolvem políticos e grande empresários.

E o que mudou não foi apenas o uso de nomes sugestivos, mas a prática de investigar as denúncias e levá-las adiante entregando as conclusões ao Ministério Público e a Justiça para que, quando comprovada a culpa, sejam punidos os responsáveis por crimes. E os resultados têm sido manchetes da mídia em todos os recantos do Brasil.

Nenhum brasileiro tem dúvida de que há corrupção na relação de agentes públicos com prestadores de serviços ao Estado. Certamente, não é generalizada, como quis fazer crer o advogado de um lobista denunciado pela Operação Lava Jato, e nem recente, como alardeiam adversários do atual governo. Mas agora a Polícia Federal tem liberdade para apurar. Esse, não se pode negar, é um legado para a democracia brasileira da passagem de Márcio Thomaz Bastos pelo Ministério da Justiça.

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