Waldir Lemos: A cultura de ir à feira

Fazia parte da cultura carioca visitar as barraquinhas enfileiradas de comerciantes munidos de peculiar simpatia e vendendo seus produtos em livre concorrência

Por O Dia

Rio - A feira livre já foi valorizada. Fazia parte da cultura carioca visitar as barraquinhas enfileiradas de comerciantes munidos de peculiar simpatia e vendendo seus produtos em livre concorrência. Era comum optar entre a mercadoria mais fresca da manhã ou a xepa no início da tarde. Entre o tomate mais graúdo e o menos encorpado, a depender do gosto do freguês. As feiras de rua funcionavam como verdadeiros eventos, quando a família se juntava para fazer compras e no final da tarefa lanchava pastel com caldo de cana. Hoje, essa realidade existe em um modelo debilitado, diferente do que fez das feiras um sucesso.

Há quase quatro mil feiras livres cadastradas na Secretaria Municipal de Ordem Pública, 52% delas na Zona Norte da cidade. Muitas, porém, correm o risco de ser extintas nos próximos anos sem o apoio do poder público. A concorrência com as grandes redes de supermercados e a falta de infraestrutura dos feirantes são os problemas mais sensíveis. O espaço para disposição da mercadoria, cada vez mais restrito, também dificulta a oferta de variedades de frutas e legumes.

Waldir Lemos é presidente da Associação de Produtores e Usuários da Ceasa

Últimas de _legado_Opinião