Editorial: Contra o gargalo do Ensino Médio

Quanto mais tarde se deixa para vencer as três séries do Ensino Médio, mais se fica suscetível à repetência e à evasão

Por O Dia

Rio - O levantamento do Todos pela Educação sobre os concluintes do Ensino Médio atesta que o país avançou, mas evidencia que há muito chão pela frente. Pouco mais da metade dos jovens brasileiros terminou o antigo segundo grau até os 19 anos, idade considerada ideal para completar essa fase de estudos. A notícia não deixa de ser positiva porque esse índice tem aumentado nos últimos anos, embora reflita discrepâncias de renda, cor e regiões — pobres, negros e moradores de áreas rurais demoram mais.

Quanto mais tarde se deixa para vencer as três séries do Ensino Médio, mais se fica suscetível à repetência e à evasão. O atraso prejudica a todos: ao estudante, obviamente, que perde precioso tempo na formação continuada e na sua entrada no mercado de trabalho; à escola, que precisa estimular o defasado a chegar ao fim; e ao país, que necessita de mais dias e mais dinheiro para diplomar o aluno.

Talvez seja a hora de repensar o Ensino Médio, hoje um massacrante amontoado de disciplinas, muitas das quais o jovem nunca mais precisará consultar no resto da vida. Educadores deveriam pesquisar sobre como aumentar o interesse pelo segmento, seja incentivando vocações, seja estimulando a criação de conhecimento. Será mais eficaz que insistir em empurrar conteúdo de qualquer modo.

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