Editorial: Esclarecer não é culpar nem omitir

É preciso frisar que a própria presidenta Dilma Rousseff reiterou defender sem exceções a Lei da Anistia

Por O Dia

Rio - Não se deve confundir o relatório da Comissão Nacional da Verdade como sentença proferida à revelia, tampouco como caça a fantasmas ou como tentativa de reescrever a história a fórceps. É preciso frisar que a própria presidenta Dilma Rousseff reiterou defender sem exceções a Lei da Anistia. Posto isto, deve-se valorizar o trabalho dos conselheiros.

Alguns criticam o dossiê enxergando nele um ‘justicismo’ que não existe. A justiça que emana do documento não está em supostas condenações, mas no desocultamento de fatos tenebrosos do passado do país. Infelizmente, para muitos setores da sociedade, é conveniente mantê-los sob a treva.

Há mais verdade a descobrir, como ressalvam os conselheiros, pois muitos foram os crimes e as violações dos direitos humanos — e não só os praticados por agentes do Estado. As duas mil páginas divulgadas ontem, no entanto, esclarecem parte deles, e o Brasil só terá a amadurecer com sua leitura atenta. Saberá com todas as letras os abusos cometidos e seus autores, informações essenciais para que não surja outra época nefasta no país — ainda mais em tempos onde há quem defenda a volta de regimes de exceção em detrimento da democracia.

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