Editorial: Aterro, o desterro da segurança

Relatos de ataques a frequentadores do parque são comuns, o que mantém a sensação de insegurança num lugar que merecia outra sorte, dado o volume de público todos os dias

Por O Dia

Rio - O assalto às velejadoras britânicas no Aterro é mais um a reverberar pelas redes sociais mundo afora, maculando a imagem da cidade a menos de dois anos da Olimpíada. Infelizmente, relatos de ataques a frequentadores do parque são comuns, o que mantém a sensação de insegurança num lugar que merecia outra sorte, dado o volume de público todos os dias.

Ainda que se consiga prender os criminosos que atacaram as atletas, permanece a indignação de quem se arrisca no espaço ou mesmo o evita. Agradece-se o fato de que os ladrões não machucaram as britânicas — fossem os agressores dependentes de crack, como os que se amontoam em áreas ermas do Aterro, o destino das medalhistas, talvez, pudesse ser bem diferente. E trágico.

Logo se apela a tentativas vãs de minimizar o ocorrido, seja transferindo a culpa às vítimas — que deveriam ser “mais cuidadosas” —, seja recorrendo a uma deficiência no patrulhamento — “o Aterro tem áreas complicadas mesmo”. Nada disso pode fazer sentido. Não é razoável haver furos na segurança nem pedir que o cidadão ou o turista se corresponsabilize pela integridade física.

Uma cidade que se propôs — e conseguiu — ser sede olímpica precisa ajustar o policiamento ostensivo, para que todos, moradores, atletas e visitantes, possam andar pela cidade e pelos cartões-postais sem medo ou paranoias.

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