Dionísio Lins: Burocracia do DPVAT

Parece a velha história de se criar dificuldade para obter facilidade

Por O Dia

Rio - Apesar de toda a propaganda em torno do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos de Vias Terrestres (DPVAT), muitos são os motoristas acidentados e familiares de vítimas do trânsito que reclamam da dificuldade de conseguir dar entrada no pedido na seguradora Líder — única empresa responsável por administrar os milhões de reais arrecadados por ano dos milhares de proprietários de veículos, obrigados a pagar o seguro na hora da vistoria anual.

Mesmo sendo de três anos o prazo para requerer o benefício, normalmente as famílias só possuem condição psicológica para solicitá-lo após dois anos e meio, ficando com prazo apertado para encaminhar a documentação pedida e correr atrás das inúmeras exigências e possíveis erros assinalados pela seguradora.

Um dos motivos que chamam mais a atenção dos que vão solicitar o pagamento do DPVAT é o grande número de documentos exigidos, tanto pela seguradora como pelo Detran. Isso acaba se tornando um calvário para a família, que já sofre com a perda de um ente querido e precisa passar pelo constrangimento de ver, por vezes, seu pedido negado por um ‘perito’ da seguradora, que encontra ‘erros’ em boletins de ocorrência, fazendo com que o beneficiário retorne inúmeras vezes à delegacia para retificá-lo, causando desconfiança entre a autoridade policial e o requerente.

Outro ponto que não dá para entender é o porquê de apenas uma seguradora ser responsável por realizar o pagamento do seguro. Não seria mais fácil dividir essa incumbência com mais empresas? Será que apenas a Líder tem competência para realizar o serviço? E essa licitação, como é feita? Quantas empresas disputaram o último certame? Por que a relação das participantes não está no site do órgão oficial responsável pelo benefício, no caso o Detran?

No mais, creio que todas essas dúvidas poderiam ser dirimidas com um pouco mais de respeito e sentimento humanitário por parte daqueles que são responsáveis em administrar o nosso dinheiro. Parece a velha história de se criar dificuldade para obter facilidade.

Dionísio Lins é deputado estadual pelo PP e vice-presidente da Comissão de Transportes da Alerj

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