Por bferreira

Rio - É bastante provável que a presidenta Dilma Rousseff vete a Medida Provisória 656, aprovada semana passada no Congresso, que reajusta em 6,5% a tabela do Imposto de Renda. E é de se lamentar, a se confirmar o veto. Afinal, seria essa a primeira vez em anos que a correção da mordida do Leão acompanharia a inflação. Para se ter uma ideia, segundo levantamento de lideranças sindicais, a adoção pelo governo de índices menores levou a um achatamento de 64% dos salários, prejudicando milhões de brasileiros. Ou seja, tem muito trabalhador pagando mais IR do que deveria.

Prática semelhante é observada nos reajustes dos aposentados que ganham acima do salário mínimo, aos quais é imposto um achatamento covarde. Ao longo dos anos, a perda é gritante. Como já anunciou a nova equipe econômica, a austeridade com gastos é uma necessidade que se impõe para livrar o país da crise. Mas a dura tarefa tem de ser repartida com todos, a começar pelo próprio governo — como enxugar gastanças e parar de legislar em causa própria para dar aumentos polpudos.

O que não pode é a conta ser paga todo ano pela mesma parcela da população, como aposentados e assalariados, que já sofrem no bolso os efeitos da inflação e as salgadas despesas do dia a dia. A correção do IR está nas mãos de Dilma. Aprová-la será o início de correção de uma longa injustiça.

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