Por bferreira

Rio - No lugar de gentilezas, amenidades e exortações inofensivas, o Papa Francisco desfiou duras palavras em seu segundo discurso de Natal como Sumo Pontífice, segunda-feira. A uma plateia atônita de cardeais, Bergoglio falou em “Alzheimer espiritual”, “terrorismo do falatório” e “exibicionismo mundano”, entre outras açoitadas verbais. Se surpreendeu pela aspereza, foi coerente com seu discurso de humildade. Ratificá-lo na data cristã mais importante, ao lado da Páscoa, não poderia ser mais acertado.

É declarada a cruzada de Francisco contra a Cúria e sua milenar ‘cultura palaciana’ — e neste termo cabem várias acepções: riqueza, ostentação e distanciamento, sobretudo. O Papa argentino prega exatamente o contrário. Para ele, a Igreja precisa se aproximar dos fiéis e se despir de vaidades, caminhando descalça, se necessário for, ao lado dos mais necessitados e aflitos. E deve fazê-lo sem disputas, outro mal que por anos rondou o Vaticano.

O sorriso pacato e acolhedor de Francisco reforça a imagem de bom pastor. Mas o duro sermão serve para lembrar a todos das suas convicções e de seu compromisso com os católicos — na data em que todos eles são instados a renovar seus valores.

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