Wadih Damous: Golpistas e ditadores não merecem homenagens

Além de ser resultado do autoritarismo que reinava no período ditatorial, expressa a bajulação dos prefeitos e governadores da época

Por O Dia

Rio - Nos últimos tempos, tem crescido o movimento em algumas cidades brasileiras de retirar os nomes de pessoas envolvidas com a ditadura que batizam monumentos, praças, ruas, escolas, pontes, etc. Recentemente, tivemos os casos de Taquari, no Rio Grande do Sul, e Volta Redonda, no Sul Fluminense. Na primeira, um busto de Costa e Silva foi retirado de praça pública, por ordem do prefeito; na segunda, uma ponte que levava o nome de Garrastazu Médici vai passar a se chamar Dom Waldyr Calheiros, ex-bispo da cidade e bravo opositor do regime ditatorial.

Não são os únicos exemplos. Dentre outros, temos o de uma escola em Salvador que se chamava Garrastazu Médici e, agora, ganhou o nome do guerrilheiro Carlos Marighela. Aqui no Rio, por iniciativa da Comissão Estadual da Verdade, a Escola Estadual Costa e Silva, em Nova Iguaçu, passou a chamar-se Abdias Nascimento, teatrólogo, parlamentar e militante da causa negra.

Esse é um legado que a ditadura nos deixou e que devemos destruir. Além de ser resultado do autoritarismo que reinava no período ditatorial, expressa a bajulação dos prefeitos e governadores da época. Isso nada tem a ver com o interesse público.

Espero que iniciativas como essas se multipliquem, já que pelo Brasil afora ainda existem centenas de logradouros e monumentos públicos com os nomes de quem atentou contra a democracia no Brasil e praticou gravíssimas violações de direitos humanos contra opositores políticos, como torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados.

É preciso ter claro, de uma vez por todas, que homenagens devem ser dirigidas a quem fez boas coisas pela sua cidade, pelo seu estado ou pelo seu país, e não a golpistas, torturadores e assassinos que mancham nossa história.

Em um estado democrático deve-se incentivar o apreço pela democracia, sobretudo no seio da juventude. Por isso, dar nomes de ditadores a uma escola pública significa um desrespeito à democracia e um culto a homens que perseguiram, mataram e torturaram dissidentes políticos.

As homenagens devem expressar o reconhecimento a quem contribuiu para o fortalecimento do país, das suas instituições e do regime democrático, e não àqueles que agiram no sentido diametralmente oposto, como é o caso dos golpistas e ditadores brasileiros.

?Wadih Damous é presidente da Comissão da Verdade do Rio

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