Por bferreira

Rio - Muito se comentam os fazeres e haveres da cultura carioca. E, não sem razão, queixam-se os chamados agentes culturais, ou seja, aqueles que criam e realizam as obras do espírito, que vão de eventos (exposições, espetáculos, simpósios, para citar alguns) a livros e à pesquisa artística.

Penso que as instituições particulares funcionam, em seu geral, com mais elasticidade que a maioria dos organismos oficiais, embora, desde já cumpre sublinhar, haja repartições governamentais que operam corretamente. Mas não cometo a insensatez de nomeá-las, até por respeito às outras que não são tão bem lubrificadas.

Tudo isso — um preâmbulo talvez desnecessário e já alongado — para celebrar justamente um exemplo de bom funcionamento. A Academia Brasileira de Letras foi, uma vez mais em 2014, a organização estritamente privada que se abriu para a cidade com um projeto eficaz e que se enquadrou com vigor nas definições de seus objetivos.

Vão-se longe os tempos — repito sempre — em que a imagem da Academia era estigmatizada por um comportamento caricatural, ou seja, a de velhinhos a sorver o chá das quintas. Isso acabou há muitos anos. Claro que o chá tradicional existe, agora dinamizado e aberto a convidados, os amigos da Casa. Claro, também, que a dinâmica da Academia faz dela uma usina de debates, de ciclos de simpósios em que se esgrimem as espadas do saber e do desafio intelectual, inclusive até a fruição da música e suas referências históricas, tanto a erudita quanto a popular.

Há dias presenciei a posse da nova diretoria da ABL, um segundo mandato do embaixador Geraldo Holanda Cavalcanti. Fiquei impressionadíssimo com o relato dos feitos deste ano, perfilados pelo secretário-geral, o acadêmico Domício Proença Filho. Dezenas de ações confirmavam a qualidade motriz da Academia. Que, a meu ver, bem pode ser avaliada, nestes tempos sombrios, como a provocadora de mais um Ano do Saber no 2015 que bate às portas.

Ricardo Cravo Albin é presidente do Instituto Cravo Albin

Você pode gostar