Tio Carlos: Um orçamento, dois Rios

Outro absurdo é o valor destinado à reforma de praças e áreas de lazer: míseros R$ 1 mil

Por O Dia

Rio - A Lei Orçamentária de 2015 foi aprovada na Câmara sem levar em conta a realidade e com muitas discrepâncias na destinação de verbas para os mais diversos setores, como se houvesse duas cidades: a que a prefeitura diz conhecer e a que de fato existe.

É difícil compreender, por exemplo, quais critérios foram utilizados para destinar R$ 11.803 para o Fundo Municipal Antidrogas, responsável pelos projetos de prevenção no município, e R$ 4.494.092 para o Fundo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, valores mostrados, recentemente, numa ampla reportagem deste jornal. Afinal, o que é mais prejudicial: ser lesado no ato do consumo ou usar substâncias que destroem qualquer pessoa em pouquíssimo tempo? Mais: a prefeitura não investiu um centavo sequer dos R$ 52.054 destinados ao Fundo Antidrogas neste ano; por isso, não vemos ações de prevenção onde as pessoas verdadeiramente estão: nas praças, nos parques, nas escolas. Como se não bastasse, a atual gestão extinguiu a Secretaria de Prevenção às Drogas e, depois, a Coordenadoria Especial de Prevenção à Dependência Química. Só podemos concluir que mais vale tentar salvar crianças e adultos já destruídos do que tentar impedir que um dia, sequer, usem drogas.

Outro absurdo é o valor destinado à reforma de praças e áreas de lazer: míseros R$ 1 mil. Ano passado, um menino de 9 anos morreu atingido por uma trave de futebol no Cesarão, em Santa Cruz. No mesmo ano, nenhuma praça foi construída, segundo informações da própria Fundação Parques e Jardins. Além disto, a prefeitura cortou do orçamento de 2015 cerca de 64% das verbas destinadas à fundação. O que já estava ruim vai piorar, pois, segundo a direção, ano passado havia carência de 40 técnicos. Diminuir o orçamento destinado a cuidar de nossas áreas de lazer de R$ 41.248.465, em 2014, para RS 14.954.812, em 2015, é um ato de irresponsabilidade.

São absurdos na destinação do orçamento que causarão prejuízos ao funcionamento da cidade e, consequentemente, à qualidade de vida dos cariocas. É do dinheiro público que estamos falando. Precisa ser bem pensado e empregado. No fim, somos nós, cidadãos, que pagamos duplamente a conta.

Tio Carlos é vereador pelo SD e Presidente da Comissão da Criança e do Adolescente