Cadri Massuda: Futuro dos planos de saúde

No último relatório da ANS de setembro de 2014, havia apenas 886 empresas

Por O Dia

Rio - Antes da Lei nº 9656, de 1998, que regulamentou o setor de saúde suplementar, havia mais de 5 mil operadoras de planos de saúde no Brasil. Em um primeiro momento, a regulamentação beneficiou muito a população, pois impôs uma profissionalização no mercado. Mas a redução foi imediata. Em 2000, a Agência Nacional de Saúde apontava a existência de 2.722 operadoras. No último relatório da ANS de setembro de 2014, havia apenas 886 empresas.

A pergunta é: o que está acontecendo com o setor? Está havendo um enxugamento? Ou o crescimento de grandes empresas em detrimento das pequenas e médias, que em sua maioria atuam em cidades menores. Sabe-se que, hoje, 38 empresas detêm 51% do mercado de saúde suplementar.

Levantamento feito pelo IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação — mostra que, nos últimos três anos, a lucratividade anual média do setor passou de 2,67% para 0,38%. A própria ANS reconhece que as empresas têm trabalhado com margem de custos (assistenciais e operacionais) de 97% a 98%.

A ANS tem parcela significativa de culpa, ao impor série de normas, que nem sempre têm como foco a qualidade do serviço ou o bem-estar do beneficiário. Mas que exigem atenção e gastos das operadoras que poderiam ser investidos em outras áreas. Ao mesmo tempo, a alta carga tributada piora ainda mais a situação. Enquanto bancos têm taxa de 15,59% e o lazer, 18,21%; educação e saúde têm carga de 21,87% e 26,68%, respectivamente. No caso da Medicina de Grupo, setor da saúde suplementar sem incentivos fiscais, essa taxa chegou a 30,71% em 2013.

São essas pressões que tiram do mercado as operadoras de pequeno e médio portes. A saúde suplementar tem movimentação financeira superior à do SUS, além de índice de satisfação muito superior ao da saúde pública. Por isso, é fundamental repensar o setor, antes que mais empresas fechem, sobrecarregando o sistema em pequenos e médios municípios, aonde as grandes operadoras não chegam nem a saúde pública funciona.

Cadri Massuda é presidente da Abramge

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