Por bferreira

Rio - Parece distante, mas o ataque terrorista de Paris tem a ver com a realidade do Rio de Janeiro, suas crianças e adolescentes. Ele acende o sinal vermelho sobre tema pouquíssimo comentado, mas muito atual: a reformulação do currículo do ensino de História e Geografia nas escolas, contextualizando os atos históricos e promovendo debates sobre tolerância religiosa, mostrando aos estudantes as consequências — tanto na trajetória do mundo quanto nos dias de hoje — da não aceitação do próximo.

A tolerância com o ‘outro’ precisa em caráter emergencial entrar para o currículo. Não menosprezando os demais conteúdos, mas, no tempo que dedicamos ensinando por semanas as particularidades dos relevos de diversas regiões, podemos criar ações criativas e persuasivas de debates sobre a paz e o convívio com as diferenças — sejam religiosas, de opinião, econômicas, de raça ou sexuais. Temos hoje no Rio milhares de crianças prontas para receber conteúdo nas salas de aula, gente que daqui a alguns anos serão jovens e podem (ou não) espalhar a bandeira da paz.

Profissionais para ensinar é o que não falta, principalmente na área de humanas. O Rio tem muito a ganhar se forem incluídas no currículo ementas para, por exemplo, após um professor ensinar sobre uma guerra religiosa histórica, destacar não apenas os vencedores, mas levar aos estudantes a refletir sobre os mortos que o conflito religioso gerou e como seria se o diálogo tivesse sido levado em consideração; ou ainda, quando um professor de Geografia discutir dados do IBGE sobre a saída de pessoas da pobreza, debater sobre a realidade de onde elas viviam.

Quando não se ensina a tolerância, surge a consequência, seja um ataque terrorista, seja um índio ou um mendigo incendiado numa praça. A arma que nós temos é a educação e os resultados de ações bem pensadas geram naturalmente uma sociedade de paz.

Rommel Cardozo é presidente do O Rio pela Paz

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