Editorial: Líderes devem refletir mais sobre o terror

Seria bom que, ao sentir a emoção dos milhares de cidadãos nas ruas da capital francesa, refletissem sobre o papel que têm desempenhado no fortalecimento do terrorismo e do fundamentalismo

Por O Dia

Rio - Aproximadamente 1,5 milhão e meio de pessoas marcharam neste domingo em Paris para defender a liberdade de expressão, homenagear as vítimas do massacre de quarta-feira na redação do jornal satírico ‘Charlie Hebdo’ e condenar o terrorismo. Em toda a França, o número dos que saíram às ruas para condenar o fundamentalismo e os crimes em nome de uma pretensa fé chegou a quatro milhões, segundo a polícia.

Entre os que marcharam estavam o chefe de Estado da França, François Hollande, presidentes, primeiros-ministros e outros líderes políticos. Eles se uniram à multidão que gritava ‘je suis, Charlie’, desde quarta-feira slogan dos que defendem a liberdade e que deixam claro que não se intimidarão.

Seria bom que, ao sentir a emoção dos milhares de cidadãos nas ruas da capital francesa , os líderes políticos refletissem sobre o papel que têm desempenhado na luta e no fortalecimento do fundamentalismo e do terrorismo. Quantos dos que ontem marcharam contra o terror não apoiaram, inclusive com armas — a pretexto de combater governos inimigos ou ditaduras — grupos extremistas?

O exemplo do Talibã, apoiado pelos Estados Unidos para combater os soviéticos no Afeganistão, não foi suficiente para essa reflexão. Tomara que o do Exército Islâmico, que surgiu de grupos que combatem o governo da Síria, recebeu ajuda dos ocidentais e está envolvido com os ataques na França seja bastante para que todos os governantes, em qualquer parte, se convençam que não existem fundamentalistas do bem e quem os ajuda apoia o terror.

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