Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - Viver é muito perigoso, escreveu Guimarães Rosa. Mas,certamente, quando fez a frase, ele não poderia nem imaginar os perigos que rondam, hoje, os corajosos cidadãos do Rio de Janeiro. Basta uma rápida leitura nos jornais para você se transformar numa pessoa acuada, aflita e paranoica. Se ouvir as histórias que conhecidos e desconhecidos contam sobre a nossa cidade dá vontade de sumir. De nunca mais sair de casa. Até para não ter que ouvir os conselhos a quem insiste em viver, trabalhar e circular pela cidade de São Sebastião.
Quer exemplos?Não se deve esperar um ônibus no ponto de ônibus, em Botafogo, porque você pode morrer assassinado.Não se pode andar na rua, em Copacabana, falando ao celular, porque você pode ser assaltado.Não se pode ir a qualquer praia, neste verão escaldante, porque é muito perigoso. Nos finais de semana , então, pior ainda: é mais perigoso ainda. Não se pode tirar dinheiro em caixa eletrônico. Não é seguro. Você pode ser assassinado. Não se pode tirar dinheiro da sua própria conta, numa agência bancária, porque pode ter um malandro de olho em você e você pode assaltado ao deixar a agência. Não se pode engarrafar, apesar de a cidade ser um engarrafamento só, porque pode vir um motoqueiro ou alguém de skate e quebrar seu vidro para levar sua bolsa. Não se pode usar joias, nem nada que pareça ser de ouro em qualquer bairro da cidade, porque você corre o risco de ter seu pescoço arranhado pelas mãos de um menino que alcança você com um pulo digno de uma olimpíada.
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Não se deve fazer compras em supermercado, a qualquer hora do dia, porque um ladrão pode estar à sua espreita,arma na mão, para levar suas compras. Não se deve tentar entrar na garagem do seu prédio, ou do prédio de seu médico ou dentista sem dar, no mínimo, duas voltas no quarteirão, para ter certeza de que não nenhum indivíduo suspeito nas imediações. Também não se deve descer do táxi, na porta de casa, principalmente à noite, sem fazer o mesmo procedimento ,para não correr perigo. Aqui, só a vítima é culpada, nenhuma autoridade tem culpa ou se apresenta para tomar providências. Providências? Que providências? Aqui não se faz absolutamente nada para resolver os problemas da cidade, do cidadão. Aqui também não se faz absolutamente nada para proteger os turistas que, tão corajosos quanto os moradores, insistem em conhecer a Cidade Maravilhosa e, teoricamente, ajudam a sustentar a cidade.Qual é a saída?
Não sei. Li e reli vários artigos de jornalistas e blogueiros, li também centenas de opiniões de leitores e não vi nada que se aproveite, que que pareça sensato. Só me resta gritar e chamar vocês todos para gritarmos juntos: “Socorro! Socorro!”
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