Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - O Impostrômetro, painel da Associação Comercial de São Paulo que mede em tempo real o apetite arrecadatório do Estado, com taxas, encargos e contribuições pagas por todos os brasileiros, chegou ontem a R$ 100 bilhões. Voracidade semelhante à de 2014, quando se somou, nos 365 dias, R$ 1,7 trilhão. É muito dinheiro, mas não o bastante para o governo federal. Diante de uma crise econômica severa, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quer ajustar o imposto pago por pequenas empresas e autônomos para aumentar a arrecadação — mas nega de pés juntos estar preparando um “saco de maldades”.
É inegável que o país precisa arrumar a casa diante de um cenário desfavorável — petróleo despencando, dólar valorizado, commodities em baixa e competitividade deixando a desejar. Mas é justo questionar as propostas da Fazenda. A indústria nacional anda cambaleante não é de hoje: basta ver o atual impasse, no ABC paulista, nas montadoras de automóveis, que demitiram centenas e, por isso, vêm travando queda de braço com os operários. Culpa do Custo Brasil, que cobra caro e entrega pouco.
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Agora o governo acena para taxar ainda mais o setor de serviços, onde se concentram os bem-sucedidos microempreendedores individuais, e os autônomos, que já veem uma parte considerável de seus ganhos se esvair. Será justo? Qual o risco de essa medida travar ainda mais a economia, fechando alguns dos poucos corredores por onde muito dinheiro flui e cerrando portas que hoje empregam milhões de brasileiros?
É muito cômodo aumentar impostos quando o alto escalão do governo foi agraciado, mais uma vez, com um autorreajuste acima da inflação — e o resto da história, todos conhecem: efeito cascata nos três poderes, majoração dos gastos públicos, festança. Isso num governo que não deu sinais de enxugamento da máquina. Ao contrário, conta com quase 40 ministérios, um recorde.
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Se a conta da crise é alta, como realmente parece ser, que seja repartida por todos. Que não caia só no lombo dos trabalhadores.