Por felipe.martins

Rio - Nem de longe temos 16 milhões de alunos no Ensino Médio. Deveríamos ter desde 2010. Mas a realidade foi outra. Então, diante de tanta vontade governamental, por que não atingimos as metas? Primeiro porque a obrigatoriedade só apareceu no segundo plano nacional de Educação, e nossa cultura não prioriza os estudos. Segundo porque as disciplinas do Ensino Médio só servem para as classes mais bem aquinhoadas e que desejam ingressar nas universidades.

Os adolescentes de classe média ou média baixa não se interessam pelos assuntos abordados e necessitam trabalhar. Estas são as razões de termos evasão em grande escala. E, na outra ponta, o pré-escolar, mais de 500 mil crianças estão fora da escola por razões marcadamente culturais. A única melhora se deve ao fato de em 2013 estarmos com 3.750.000 fora da escola na idade correspondente à série e, hoje, este número ter caído para 2.700.000. A evasão ainda é uma pedra no sapato dos gestores, sobretudo estaduais e federais.

Melhorar este sistema demanda melhorar a parte física das escolas, mudar radicalmente o currículo para ser atraente e atualizado para os interessados e correr, correr muito atrás de professores que não mais existem.

De outro ângulo, observa-se a questão da necessidade de escolas técnicas de Nível Médio, experiência levada a cabo no Ceará, quando o então ministro da Educação Cid Gomes era governador. Escolas muito boas, com professores recebendo salários diferenciados e alunos interessados. Isso é o que constatei em Novas Russas, onde as salas estavam cheias da manhã à noite.

O caminho me parece ser este. É complexo e demanda muitas coisas além da vontade política. No entanto, se desejarmos criar condições para que nossos jovens colaborem com o aumento do PIB e possam participar de uma distribuição mais justa de renda, temos de investir em todas as frentes para recuperar os atrasos históricos.

Participei de várias palestras nos cursos do Jovem Aprendiz, financiado pela Petrobras, com o Sesi. Presenciei um grande trabalho da ONG Semear em Aracaju, selecionando os alunos e coordenando as atividades. Quase todos saem com perspectivas imediatas de emprego. O clima em relação à autoestima e às perspectivas de progresso fica evidente nos olhares dos aprendizes.

Tenho esperança nas ações concretas que existem e nas que possam ser implementadas.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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