Eduardo Grizendi: A Era IPv6

A implementação não tem custo tão alto, pois não demanda a troca de todos os equipamentos

Por O Dia

Rio -  É fato real e não virtual: os endereços IP — identificação necessária a todo computador ou dispositivo para se conectar à internet — estão acabando. O cenário é similar ao que aconteceu com os CEPs no Brasil, há alguns anos, quando mudamos de cinco para oito dígitos e, recentemente, com os números de celular, que ganharam um dígito. É uma mudança tecnológica previsível e solucionável. O IP que está acabando é um endereço de 32 bits, do protocolo IP (Internet Protocol) versão 4, o IPv4. No Brasil, desde junho, os endereços IPv4 entraram em “terminação gradual”, como definiu o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que os distribui. É o ‘fim’ dos recursos da versão 4, o que significa o início de um racionamento severo.

Já antevendo esse cenário, o IETF (Internet Engineering Task Force) publicou, em 1998, a versão 6 do protocolo IP, que usa 128 bits para endereçamento, o que representa cerca de 79 octilhões de vezes mais endereços que os disponíveis atualmente em IPv4. Com essa enormidade de novos ‘CEPs virtuais’, a previsão é que todo tipo de coisa, como eletrodomésticos, acessórios, roupas e seres vivos, possam se conectar à internet, levando-nos a um novo mundo da Internet das Coisas, com tudo conectado e interagindo.

Durante um período de transição, o IPv6 conviverá com o IPv4, inicialmente interconectando ilhas de endereços de IPv6 em uma internet majoritariamente IPv4 e, no futuro, oxalá o contrário, ilhas de IPv4 em uma internet majoritariamente IPv6. Há técnicas para essa transição, que permitem a interoperabilidade. A implementação não tem custo tão alto, pois não demanda a troca de todos os equipamentos.

Há, sim, que se empreender um esforço de engenharia de rede para, uma vez selecionada a técnica de transição, implantá-la e colocá-la operacional em uma sub-rede, formando ilhas de IPv6 e, gradativamente, expandir os elementos de rede, computados e dispositivos para tomar conta de toda a internet.

A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa tem apoiado as ações do NIC.br, de estímulo à adoção do IPv6. Procuramos sensibilizar as instituições usuárias sobre a importância de adotar o IPv6, preparando-se para essa transição.

Eduardo Grizendi é diretor da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa

Últimas de _legado_Opinião