Carlos Alberto Rabaça: Contra o radicalismo

Quatro milhões de franceses foram às ruas contra o jihadismo, o islamofascismo do século 21, terror do totalitarismo em nome da religião criada por Maomé

Por O Dia

Rio - Quatro milhões de franceses foram às ruas contra o jihadismo, o islamofascismo do século 21, terror do totalitarismo em nome da religião criada por Maomé. Multidões, em vários países, reafirmaram que não aceitam o anacronismo de matar a pretexto de vingar ofensas a símbolos sagrados. Essa realidade poderia bloquear um possível diálogo entre as religiões? Do ponto de vista da fé, não se impossibilita de antemão a interação com outras convicções? Quando se crê em Cristo como o caminho, a verdade e a vida, não se deve aceitar transcendências em outros caminhos, verdades e vidas? Do judaísmo? Do islamismo? Do budismo? É possível, com certeza, semear diálogo interreligioso, abertura, pluralismo, identidade, respeito, liberdade de expressão. Sabemos, historicamente, que o Islã também pratica a tolerância. Isso torna ainda mais repulsiva sua vertente radical, que ignora o passado.

Temos que começar pela prática de uma posição ecumênica. Isso só é possível se não fomentarmos um indiferentismo frente a ortodoxias com justificativas de salvação e que impõem sua verdade com métodos de violência. Uma racionalidade que permita contemplar cada religião em seu contexto. Não admitir um sincretismo em que se amalgam o possível e o impossível, mas o passo para a construção de uma progressiva maturidade que enfrente os antagonismos causadores de tantas lágrimas. É preciso buscar uma transformação, um entendimento e uma colaboração para a paz entre religiões e também para a paz das nações.

Ante tamanha intolerância, nunca desistamos da liberdade confessional. A questão da verdade não se pode banalizar, nem sacrificar a esperança de uma utopia que se traduza numa futura unidade mundial ou de uma pacificação religiosa. Uma religião é verdadeira e boa na medida em que é humana e não oprima ou destrua essa humanidade.

Necessitamos de religiões que, depois de tantas guerras, de tanta coexistência só aparentemente pacífica, pratiquem uma existência construtiva e uma cooperação pacificadora nos conflitos. Necessitamos, também, de um diálogo das comunidades de religiosos e laicos visando a um aprofundamento na vida comunitária e nos problemas de espiritualidade para nosso tempo.

?Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor

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