Jaguar: Boiolinhas olímpicos

O ‘Tom’, coitado, lembra uma Carmen Miranda alienígena, com uma penca de bananas verdes no cocuruto. Depois o transformaram, junto com o Vinicius, logo quem, numa versão gay do Cosme e Damião

Por O Dia

Rio - Primeiro foi o Fuleco, fuleiro representante do Bananão (licença, Ivan Lessa) na Copa. Só podia dar no que deu: 7 a 1 pros alemão. E agora nos impingem os bonecos ‘Vinicius’ e ‘Tom’, doravante símbolos das Olimpíadas e das Paralimpíadas. Você, não sei, mas eu não fui consultado.

Parecem candidatos ao prêmio de melhor fantasia do Gala Gay. O ‘Tom’, coitado, lembra uma Carmen Miranda alienígena, com uma penca de bananas verdes no cocuruto. Se eu fosse herdeiro, vetaria o uso da imagem. Aliás, não sei o que as nossas autoridades (risos) têm contra o Tom. Primeiro, deram seu nome ao pior e mais esculhambado aeroporto do mundo.

Depois o transformaram, junto com o Vinicius, logo quem, numa versão gay do Cosme e Damião (o poetinha, casado nove vezes, sonho de consumo de tantas mulheres, nunca imaginou virar um gatinho de pelúcia amarelo). E agora o Tom foi ‘homenageado’ com aquela estátua no calçadão de Ipanema. Com cara de poucos amigos (logo ele!), se afasta a passos largos, possivelmente rumo ao Plataforma.

E levando no ombro um violão, como se fosse uma enxada, coisa que o maestro jamais faria. Sem ao menos saudar o amigo Millôr, sentado no seu banco junto à Pedra do Arpoador, avaliando com o olhar experiente as garotas de Ipanema, do Leblon e todas as demais.

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A Globo (leia-se: os paulistas) insiste em chamar o Rio de capital fluminense. Se a intenção era jogar uma pá de cal no glamour carioca, sempre imitado mas nunca igualado, podem tirar, como dizia Millôr (sempre ele), “the little horse off the rain.” Freud explicaria: é uma versão tropical da inveja do pênis, no caso, trata-se da inveja da praia. Eles andam, andam, procurando uma praia, e acabam chegando a Santos.

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Midas Buarque de Holanda deu outra dentro: li e gostei do ‘Meu irmão alemão’. Por causa do ataque terrorista ao ‘Charlie’, Hollande, que estava esquecido, reapareceu na mídia. Desconfio que seja o irmão francês dele.

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Andam falando muito em regulação da mídia. É um eufemismo de censura. Como disse Agamenon Mendes Pedreira a uma aparteante num debate sobre liberdade de expressão: “Minha senhora, em matéria de regulação só conheço o Regulador Xavier. O 1 para excesso, o 2 para escassez.”

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