Marcos Espínola: Chuva, só de bala

Somos milhões de brasileiros vulneráveis e propensos a aumentar estatística crescente. A qualquer momento ou em qualquer lugar

Por O Dia

Rio - Diante de um dos verões mais rigorosos dos últimos tempos, cuja sensação térmica em alguns dias ultrapassou os 50 graus, o desejo para que chova é quase uma unanimidade. Afinal, como se não bastasse a alta temperatura, estamos vivenciando a maior escassez de água que o país já sofreu nos últimos tempos.

No entanto, no Rio, conhecido dentre outras coisas pelo clima quente e pelas fortes chuvas de verão, a única coisa que tem caído do céu é bala perdida, fazendo novas vítimas e colocando a Cidade Maravilhosa nas páginas policiais do país e do mundo. Tudo isso às vésperas da badalada Olimpíada.

Vale ressaltar que o Brasil é o segundo país da América Latina em casos de bala perdida, e o aumento desse tipo de crime volta a ser realidade. A guerra de traficantes tem se intensificado em vários pontos, mesmo nas comunidades pacificadas e monitoradas pelas Unidades de Polícia Pacificadora. Só nesse início de ano já foram seis casos em menos de uma semana e, entre as vítimas, três crianças.

Outras situações de violência, como assassinato de policiais, cidadãos mortos em assaltos mesmo sem reagir e arrastões nas praias, também têm crescido, fazendo a polícia rever estratégias e mudar o patrulhamento. Mesmo assim, o sentimento da população é de muita tensão, pois, de certa forma, vivíamos nos últimos anos a sensação de que havia tendência real de controle da violência e manutenção da ordem.

Enquanto todos nós nos chocamos com o fuzilamento do primeiro brasileiro condenado à morte na Indonésia, episódio que fez a presidenta Dilma apelar pela vida do rapaz, pedindo clemência às implacáveis autoridades daquele país, por aqui nossos cidadãos têm sido cada vez mais abatidos a bala em plena luz do dia. Pena de morte não institucionalizada, na qual qualquer um pode ser a próxima vítima.

Infelizmente, no corredor da morte indonésio há outro brasileiro que terá dia e hora para ser executado. Mas, por aqui, em cada grande capital, em cada quarteirão, somos milhões de brasileiros vulneráveis e propensos a aumentar estatística crescente. A qualquer momento ou em qualquer lugar.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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