Marcus Tavares: Museus: novo programa

Faz-se necessária a ida das famílias e das escolas aos museus. Eles não podem ser locais de silêncio e de espaço vazio

Por O Dia

Rio - O que fazer nas férias escolares? A resposta é bem simples e, por vezes, meio batida: ir aos museus. Opções não faltam. Só aqui na nossa cidade temos cerca de 60 instituições. Mas, embora a oferta seja grande, não é uma prática costumeira. Nem por parte das famílias, nas férias, nem pelas escolas, durante o ano letivo.

O que é uma pena. Além de ser um programa quase sempre gratuito ou bem em conta, é uma forma de conhecer, descobrir e aprender. No exterior, a ida a esses centros é rotina de todos.

Por que por aqui isso não acontece? Acredito que os museus precisam repensar estratégias e formas de interação, principalmente com as novas gerações e seus responsáveis. Necessitam reformular, inclusive, o seu papel e função nas grandes e pequenas cidades. Sair do muro. A boa notícia é que tal preocupação já existe, mas precisa amadurecer mais.

Em São Paulo, o Museu Lasar Segall, por exemplo, recebeu, em março do ano passado, o prêmio de Melhores Práticas do Conselho Internacional de Museus pelo projeto que vem desenvolvendo desde 2013: Bebês no Museu. Trata-se de um espaço voltado para mães e pequenos de até 3 anos.

Mas não bastam apenas boas iniciativas. Os museus precisam de investimentos públicos e — por que não? — privados. E mais do que isso: de uma política pública que invista em programas que qualifiquem as instalações dos espaços e a preservação de seus conteúdos e as relações com o público, com crianças e adolescentes, suas famílias e escolas.

No Rio, o Museu Nacional, o que fica na Quinta da Boa Vista, o maior de História Natural da América Latina, estava fechado até ontem. Faltava verba para pagar a vigilantes e funcionários da limpeza. Não pode. Além de boas práticas e recursos, é preciso que haja efetivamente a participação da sociedade. Faz-se necessária a ida das famílias e das escolas aos museus. Eles não podem ser locais de silêncio e de espaço vazio.

O público deve interagir e dialogar com as instituições. Forçar mudanças. E exigir políticas públicas nesta área cultural tão importante e singular.

Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Midiaeducação

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