Ricardo Cravo Albin: Escola e sedução

Aqui e acolá surgiram ações positivas como os Cieps, imaginados e postos em prática pelo gênio de Darcy Ribeiro

Por O Dia

Rio - Ainda recentemente me referi neste espaço à necessidade de o novo ministro da Educação, Cid Gomes, conhecer experiências estimulantes em escolas que alcancem o futuro. E não apenas este presente, tão vergonhoso.

Sempre me contristou a duvidosa qualidade do ensino no Brasil. Nem me refiro às universidades, todo um capítulo à parte de queixumes, mas aos ensinos Básico e Médio. Neste último, um único detalhe — a evasão de alunos dos bancos escolares — já sinaliza a deficiência estratégica. Afinal, por que ocorre esse trágico abandono do saber estrutural? Certamente que por uma série de razões, a começar pela falta de comprometimento com ações que estimulem os adolescentes.

Aqui e acolá surgiram ações positivas como os Cieps, imaginados e postos em prática pelo gênio de Darcy Ribeiro. Ou projetos mais específicos, como o MPB nas Escolas, agora sendo implantado neste 2015 em Piraí e Teresópolis, graças à lei de incentivo (ICMS), através da Secretaria de Cultura. Esta é uma proposta irradiadora para avaliar-se a estrutura da nacionalidade através da história da música popular.

Voltando à ideia da escola integral (o Ciep), quero me referir a outra visão quase paradisíaca de Ensino Médio que jamais imaginaria presenciar. Pois bem, há tempos fui dar uma palestra na Escola Sesc de Ensino Médio em Jacarepaguá. Mal acreditei no que vi. Vi adolescentes atentíssimos e um corpo de professores que, suprema surpresa, não só é muito bem pago como também mora na escola, tal como, de resto, os alunos. Ou seja, a integração perfeita de assiduidade e de intimidade entre aluno e professor. Quem se aventurou a esforço tão benéfico quanto modelar foi o Sesc. Que não de hoje representa um núcleo de excelência para bem pensar o Brasil.

Em resumo, há pouquíssimas propostas sérias por parte dos políticos que são eleitos para dirigir a nação, principalmente porque não há nunca dinheiro suficiente para uma guinada radical na Educação.

?Ricardo Cravo Albin é presidente do Instituto Cultural Cravo Albin

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