Milton Corrêa da Costa: Abordagem e técnica

A polícia existe para servir e proteger. Não para desproteger pelo excesso

Por O Dia

Rio - Muitas vidas têm sido lamentavelmente ceifadas por ações precipitadas empreendidas por policiais em vias públicas, mormente em ocorrências que envolvem perseguição. A abordagem segura de veículos em movimento constitui uma das mais complexas e difíceis intervenções policiais, quanto mais no contexto de uma violenta guerra urbana.

O uso da arma de fogo por policiais em abordagem de veículos só deve ser feito em situação excepcional de legítima defesa da vida dos policiais ou de terceiros, desde que tal contraofensiva, somente recomendável em área desabitada ou em local ermo, não coloque em risco a vida de ninguém. O giroscópio e a sinaleira ligados e a constante comunicação via rádio com o Centro de Operações, informando dados da perseguição e de vias de fuga também são importantes medidas.

Desferir tiros para o interior do veículo suspeito — imaginem um tiro de fuzil — sem a cautela devida, não se sabendo o que se quer atingir, na ânsia de se deter o veículo pela força, tem sido, sim, causa de inúmeras tragédias e fim da carreira de agentes da lei. Preparo técnico e equilíbrio emocional são, portanto, qualidades indispensáveis.

O comandante-geral da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto, lembrou muito bem que o Estudo de Casos é ferramenta importante na busca da melhor qualidade das intervenções policiais. Portanto, ações espetaculares de perseguições devem ficar restritas tão somente às telas do cinema, não à vida real. Numa intervenção policial deste tipo o que se busca é a neutralização e prisão dos delinquentes, se possível, e a preservação da vida de inocentes. Difícil mas não impossível missão.

Ressalte-se, no âmbito do patrulhamento ostensivo da PM, a importância das câmeras internas de viaturas. Aliado tecnológico no controle externo e transparência do serviço. A polícia existe para servir e proteger. Não para desproteger pelo excesso. A arma conferida a um policial pela sociedade, para atuar legitimamente em sua defesa, não pode voltar-se contra a própria sociedade.

Milton Corrêa da Costa é tenente-coronel reformado da PM

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