Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - A bola nem começou a rolar, mas já é possível afirmar que o Campeonato Carioca terminará bem longe de seu brilho de outrora. Ofuscando a primeira rodada, marcada para amanhã, está uma ruidosa polêmica sobre o preço dos ingressos, que causou um racha envolvendo clubes e federação, perigando privar o torcedor do seu estádio maior, o renovado Maracanã.
A proposta da ‘meia-entrada universal’, introduzida pelo Vasco da Gama, até é válida; afinal, ano passado, cobraram-se fortunas por jogos medíocres. Mas a medida, aprovada pelo Arbitral, não visou apenas ao bolso do torcedor: esconde uma estratégia política e populista que, sozinha, não saneará o deficitário ‘Cariocão’, que neste 2015 se arrastará em um modorrento turno único até o fim de abril.
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Baixar o preço a fórceps é medida inócua diante de um torneio inflado e esparso: da multidão de 16 clubes que o disputarão, mais da metade vem do interior. A enormidade de partidas inexpressivas justifica a péssima média de público — ano passado, registraram-se 2.800 pagantes por jogo. Não há como ter lucro com esta fórmula.
Dentro do feudo em que se encastelam cartolas e dirigentes, com diretorias se perpetuando há decênios, tudo está maravilhoso, e o prejuízo é só um detalhe — como se os clubes fossem potências econômicas, livres de dívidas e com milhões em caixa. Não se move um centímetro para discutir medidas de fato transformadoras.
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Só se veem bravatas que causam cizânia e agravam o problema: já se vislumbra impasse que pode deixar o estádio da final da Copa e da abertura da Olimpíada de fora do campeonato. A concessionária que o administra levanta ponto importante. Para onde vai a conta das partidas deficitárias? Mantendo esses preços nesse campeonato fraco, alguém terá de arcar com o prejuízo. “A concessionária? Os clubes? A Federação? O governo estadual e/ou municipal?”, indaga, em nota.
Não é desse jeito atabalhoado que o futebol do Rio de Janeiro alcançará a plena profissionalização.
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