Por felipe.martins

Rio - Todos sabem que os métodos do presidente do Vasco, Eurico Miranda, são tão anacrônicos quanto seus suspensórios. É conhecida também a truculência com que trata questões cujas soluções poderiam ser encontradas pelo diálogo. Mesmo diante destes e outros vários defeitos do cartola cruzmaltino, nem sempre ele está errado. É o caso da atual polêmica sobre os preços dos ingressos do Campeonato Carioca, que começa amanhã. Desta vez, é preciso reconhecer, Eurico está coberto de razão.

Seja qual for o seu interesse nesse bate-boca (a defesa do bolso do torcedor ou a simples vontade de atazanar seus rivais), a verdade é que o homem do charuto levanta agora uma bandeira que por anos desportistas e jornalistas desfraldaram. Há tempos repete-se o diagnóstico para a queda de público nos estádios: a violência das torcidas organizadas, a baixa qualidade dos jogos e o alto preço dos ingressos.

As brigas entre facções de torcidas são assunto para a polícia, que até conseguiu evitar os confrontos dentro dos estádios, mas não nas ruas próximas aos locais de jogos. No âmbito do futebol, nada indica que a qualidade das partidas vá melhorar, ainda mais numa temporada de penúria financeira jamais vista nos clubes. Para tentar atrair novamente os torcedores para as arquibancadas, resta aos cartolas tratar da questão dos ingressos. Justamente quando surge a proposta de redução de preços, Flamengo e Fluminense resolvem chiar.

Os dois clubes reclamam de suposto prejuízo com o programa de sócio-torcedor. Não explicam, porém, por qual motivo o interesse dessa parcela da torcida deveria se sobrepor à maioria. Por tal lógica, muitos teriam que pagar caro para que alguns tenham direito ao abatimento. Outra coisa: tentar manter os preços nas alturas para justificar um desconto equivale a reconhecer que a promoção é ilusória.

Nota do Fluminense classificou a redução dos preços como AI-5, mesmo tendo sido tomada pelo colegiado do Conselho Arbitral. No texto, que o Flamengo não endossou, fala de respeito a patrocinadores e detentores dos direitos de transmissão. Quanto ao interesse dos torcedores, nenhum pio.

Por conta desse debate, Eurico e o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, são chamados de populistas por rubro-negros e tricolores. Realistas, então, são aqueles que querem cobrar preços estratosféricos por um futebol tão criticado? Difícil entender.

Francisco Alves Filho é jornalista do DIA

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