Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - É possível avaliar sem aplicar provas? Há quem ache que não, sobretudo porque durante toda a vida de professor, desde os tempos em que fez faculdade no século passado, aprendeu que o conhecimento só pode ser medido por exames. A velha educação chinesa usava este método para avaliar; a ‘ratio studiorum’ dos jesuítas, publicada pela primeira vez em 1599, usava testes; a didática magna de Commenius, o inventor da cartilha e do quadro negro, insistia nas provas.
Modernamente alguns métodos as excluem. Nunca, porém, prescindem da avaliação. No Brasil de hoje existem escolas que dispensam testes, sobretudo as muito pequenas, com salas de aula de poucos alunos.
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A prova, na realidade, é um dos instrumentos através dos quais um professor pode avaliar se um aluno aprendeu. Na verdade é ferramenta que abarca muito pouco do que foi ensinado num bimestre escolar. Ao tempo em que as provas eram semestrais e até finais, uma única oportunidade, reduzida às vezes a três questões, restringia a aferição do conhecimento em relação ao que fora lecionado durante um ano escolar. Mais ainda: estas provas semestrais e finais tinham pesos maiores.
Soa contrassenso falar na abolição de provas quando alguns sistemas ainda defendem sabatinas. Não é. Se o professor consegue saber se seu aluno aprendeu, a prova torna-se desnecessária. Para tanto, as classes não devem ter estudantes em grande quantidade, os professores precisam estar comprometidos com o método e com seus pupilos, conhecendo-os a fundo.
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Na Dinamarca, o sistema escolar não usa provas. Os professores, no entanto, conhecem muito bem seus educandos. Usam portfólios para avaliar o desempenho ao longo do ano e percebem, perfeitamente, se os seus alunos conseguiram aprender e quais os aspectos que necessitam de recuperação. Na verdade, o professor precisa ter equilíbrio na dosagem dos seus métodos e processos. Quanto maior a turma e menor o tempo, mais necessidade de algum instrumento de avaliação, e a prova pode ser a ferramenta mais simples.
Quanto menor a turma e mais tempo de presença entre o professor e os alunos, menor a necessidade de um instrumento geral de avaliação. Talvez por isso mesmo o antigo método dos jesuítas ensinasse que o ‘azar’ de um aluno numa prova poderia ser substituído por uma nota obtida de outro lugar, se o professor conhecesse bem este mesmo aluno. Em latim a expressão era assim escrita: ‘ex aliunde habita’. Vale dizer: bom senso é uma grande arma pedagógica.
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Hamilton Werneck é pedagogo e escritor