Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - O Brasil está bem longe de ser a nação acolhedora, cordial e tolerante que acredita e afirma ser. Demonstrações dos mais odiosos preconceitos se observam todos os dias e das mais variadas formas, destacando-se as raciais e principalmente as religiosas. O DIA desde segunda-feira vem jogando luz sobre as dificuldades vivenciadas por muçulmanas no Rio de Janeiro. A cidade da final da Copa do Mundo e da Olimpíada — eventos em que a pluralidade das gentes é o diferencial — infelizmente alimenta a islamofobia.
Xingamentos e cusparadas fazem parte da rotina de cidadãs como Zahrah, Vivian e AJ, ouvidas pela reportagem. A agressão contra elas vem da mesma raiz de onde brotam as depredações de centros de umbanda e os pequenos — mas inaceitáveis — preconceitos contra negros: a ignorância.
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Contra ela, há algumas estratégias. Uma é a punição pela Justiça, como já vem ocorrendo com casos de intolerância religiosa e racismo. Felizmente, no caso exposto da islamofobia, a Comissão de Direitos Humanos da Alerj intercedeu e vai convocar audiência pública, a fim de se criarem mecanismos para auxiliar os agredidos na cidade.
Mas é preciso ir além, eliminando a cultura do ódio nessa raiz. E só a Educação tem o poder de derrubar estranhamentos e violências. Aulas sobre religiões já são oferecidas nas escolas, e não é muito difícil aprender que o Islã é muito diferente da imagem deturpada que os radicais apregoam, através de suas ações bárbaras, que ganham ainda mais eco no raivoso discurso de quem considera todo muçulmano um assassino, um terrorista. É esse círculo vicioso que precisa ser cortado, ou do contrário a estupidez vai predominar.