Por felipe.martins

Rio - Três enredos encantadores, das ditas pobrinhas. A Deusa Rosa Magalhães ataca de Pamplona, numa pegada que junta o Acre e seus personagens fantásticos ao teatro municipal e o carnaval dos anos 60. Fique de olho na Alegoria do Cemitério e na das africanidades que invadem o teatro, um luxo. Viradouro, audácia do Presidente Clarão, vem de Luis Carlos da Vila, que considerava o Brasil um corpo, em cujas veias corre o sangue negro e índio. Mais Joaquim Barbosa, impossível. Enquanto isso, Alex de Souza e Ilha nos farão rir horrores da beleza. Tem Cleópatra gorda drag queen, Clodovil e Denner no ringue de boxe, tem modelos de Olívia Palito, senhoras da comunidade vestidas de coelhinha da Playboy. Nos relembra que Carnaval é folia, deboche, bom humor.

Imperatriz e Beija-Flor se embrenham no continente negro e, junto com Viradouro, nos oferecem três navios negreiros que são enorme coincidência artística: os três cascos apresentam bem à frente esculturas gigantes. Imperatriz traz agarrada à proa uma escultura enorme de negra com unhas pontiagudas; já à frente do navio Beija, uma máscara belíssima, azul e laranja; enquanto Vira colocou um ser aquático, gigante azulado com barbatanas na frente do seu. É ver para crer, tendência. O trio também apresenta três árvores da vida, sendo que na Viradouro vem em dose dupla, também na comissão.

Acho que vem aí uma nova Grande Rio, menos rica e global, e mais escola de samba, de fundamentos. Acho que desta vez a comunidade triunfa, emergindo de um Carnaval criativo e que dá mais chances da escola se mostrar enquanto canta e dança. Vila Isabel retoma as rédeas de sua trajetória comunitária, abrindo com Isaac Karabtchevsky e uma orquestra inteira em dourado. Vai ser lindo. Tijuca vem soltando neve pelas narinas, fazendo competente Carnaval sobre Suíça. Méritos para a ponte com Clovis Bornay, escutando histórias de seu pai sobre os Alpes. Aposto no carro do Cuco. Salgueiro vem de comida mineira e Viviane Araujo é o torresmo que todo malandro pediu a Deus. Gostosa. Espero muito de toda a abertura em cor de urucum que o casal Lage esta propondo. Mangueira traz Grandes Mulheres. Queria tanto que Fernanda Montenegro estivesse no último carro! Portela traz Salvador Dali se encontrando com seu carnavalesco, o Salvador Daqui, Alê Louzada. Cartões postais são deformados tipo a pedra do Pão de Açúcar é uma sereia. Vai abafar! Mocidade será para prender o fôlego, El Barros traz um enredo aberto que tanto dá margem para sua criatividade. Não perca, de novo, o primeiro casal fazendo parte da comissão de frente, tão atacado ano passado, mas ainda assim não assustando o Castor.

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