Por felipe.martins

Rio - A recente pesquisa do Novo Degase, revelando que a cada hora uma criança ou adolescente é levado ao Ministério Público, não só traz à tona a discussão da maioridade penal como, em verdade, comprova o quadro emergencial de fomento à Educação. Estamos perdendo nossos jovens para o crime e só reverteremos esse cenário quando passarmos a olhar com mais seriedade para o ensino de base, apostando que no médio e no longo prazos estaremos formando indivíduos mais conscientes.

A percepção da cidadania deve ser assimilada desde cedo, nos primeiros passos da vida escolar, além, é claro, dos princípios básicos e valores que devem ser passados pela família. Antigamente, por exemplo, as disciplinas chamadas Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política Brasileira) nos passavam ainda no primário, hoje Ensino Fundamental, os conceitos dos nossos direitos e deveres enquanto cidadãos.

Em tempos de tanta tecnologia, canais de comunicação e, consequentemente, acesso à informação, o grande desafio em sala é passar o conteúdo programático de forma a entreter os alunos nos mais variados temas. É preciso introduzir metodologias que viabilizem a assimilação do ensino por parte de uma geração que, ainda no berço, é bombardeada com a filosofia do consumo, no qual o ter vem à frente do ser.

Segundo Albert Einstein, se almejamos resultados distintos, devemos agir de forma diferente. Enquanto insistirmos em ignorar a necessidade de investir pesado na Educação, não sairemos do lugar. Segundo o levantamento, 8.380 crianças e adolescentes foram apreendidas no Estado do Rio no ano passado, o que significa um menor por hora. A maior parte com ligação ao tráfico de drogas.

Não é de hoje que sabemos que esse público é o alvo preferencial dos traficantes, que partem do princípio de que, ao aliciar o indivíduo o quanto antes, mais chances terão de cooptá-lo para seu ‘exército’, oferecendo-lhes um mundo de dinheiro e poder tentador.

É possível resumir o caos com uma equação sinistra: juventude - educação = violência. Salvemos as crianças!

Marcos Espínola é advogado criminalista

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