Por felipe.martins

Rio - O que faz a escola ter bom desempenho? Vou tentar responder de forma bem objetiva e simples: gestão, tempo e dinheiro. Por gestão, me refiro a uma direção envolvida com a comunidade escolar, preocupada com o bem-estar e com o funcionamento do dia a dia da escola, que envolve alunos e professores, sem esquecer, é claro, funcionários e os pais dos estudantes.

Já tempo e dinheiro estão ligados aos profissionais que trabalham na instituição, garantindo que tenham tempo exclusivo para se dedicar à escola. Sim, 40 horas de dedicação semanais, sem precisar sair de um colégio para outro. Que possam ter ‘espaços’ para trocas, diálogos e interações. E dinheiro que se traduz num salário digno, compatível com as responsabilidades, demandas, expectativas e, principalmente, com a dedicação e os anos de estudo e aprimoramento. Se somados — gestão, tempo e dinheiro —, garanto que não há instituição escolar que não alcance bons resultados.

Mas há escolas que têm bom desempenho sem contar com este tripé. Não duvido. E muitas vezes isso acontece por conta da dedicação incomensurável dos profissionais de Educação. Precisamos tirar o chapéu. Mas não podemos continuar com a ideia de que magistério é sacerdócio. Não, não é. É vocação como qualquer profissão.

É a reboque da gestão, tempo e dinheiro que surgem bons projetos, integrações, inovações. O que acontece em algumas realidades é o entendimento errôneo de que são os bons projetos, as integrações e as inovações que puxam a qualidade e o bom desempenho das escolas. Não é. O ponto de partida é o tripé, já destacado, que valoriza, seleciona e atrai os melhores profissionais para desenvolverem uma educação mais dialógica, interdisciplinar e nos dias de hoje coletiva.

As tecnologias são importantes no processo de ensino e aprendizagem nos dias de hoje pelo fato de elas permitirem e possibilitarem uma ampla, inteligente, instigante, instantânea e desafiadora aquisição de informações, troca de experiências e ousadas produções individuais e ou coletivas, bem como novos processos de avaliação. Mas as tecnologias não são, em hipótese alguma, pré-requisitos para o desenvolvimento pleno das atividades escolares, muito menos ponto de partida para projetos inovadores e menos ainda para estabelecer que essa ou aquela escola é melhor do que a outra.

Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Midiaeducação

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