Por felipe.martins

Rio - A Organização das Nações Unidas precisa, o quanto antes, concentrar seus esforços para pôr fim à barbárie do Estado Islâmico. O circo dos horrores exibido toda semana, com execuções bestiais, é a fração visível de um império retrógrado, violento e perigosamente líquido: muitos de seus simpatizantes estão em células ‘adormecidas’ fora do território que se espraia do Iraque à Síria. A última exibição do grupo terrorista remete às piores práticas de tortura medievais. O piloto jordaniano Moaz Kasasbeth foi queimado vivo numa jaula. Além dele, outra dúzia foi degolada.

Aos que buscam saídas diplomáticas, lamenta-se dizer, mas o próprio Estado Islâmico, dentro de suas ‘exigências’ inexequíveis, não está aberto a diálogo: quer o fim do Ocidente. Para tal, monta rede que viola todos os direitos humanos, maltrata mulheres e fabrica soldados, incutindo ódio em crianças. O Japão tentou, pelas vias pacíficas, libertar o jornalista Kenji Goto. Acabou decapitado como muitos dos reféns pegos pelos exércitos radicais.

No que o uso da força se mostra cada vez mais inevitável, é preciso, entretanto, dosá-la com inteligência e precisão. O próprio Estado Islâmico surgiu da lambança do Ocidente na Síria, na fracassada tentativa de depor Bashar al-Assad: forneceram-se armas a grupos que hoje compõem o sinistro império. O vácuo no Iraque pós-guerra também serviu de rastilho de pólvora para os terroristas.

Para cada ação cirúrgica, a fim de neutralizar centros de treinamento, é necessário amplo trabalho de vigilância para impedir que as ‘células adormecidas’ acordem, por menor. Reside aí a maior dificuldade da guerra ao terror. Ninguém sabe onde será o próximo ataque. Mas tão importante quanto desarticular essa rede de horror é afastar a islamofobia. Alimentar o ódio genérico contra muçulmanos é jogar combustível nessa insanidade.

Você pode gostar